Tribos urbanas
11 May, 2009 por Tiago Esmeraldo
Arquivado em Artigos, Estudos
Tribos Urbanas & Missões Urbanas
É de necessidade óbvia e lógica que aqueles que trabalham ou desejam se envolver com Missões Urbanas, situem se dentro do assunto. As informções abaixo já são um bom começo.
As tribos urbanas[1] ou metropolitanas[2] são constituídas de microgrupos[3] que têm como objetivo principal estabelecer redes de amigos com base em interesses comuns.[4] Essas agregações apresentam uma conformidade de pensamentos, hábitos e maneiras de se vestir.[5] Um exemplo conhecido de tribo urbana são os punks.[6] Segundo Michel Maffesoli, o fenômeno das tribos urbanas se constitui nas “diversas redes, grupos de afinidades e de interesse, laços de vizinhança que estruturam nossas megalópoles. Seja ele qual for, o que está em jogo é a potência contra o poder, mesmo que aquela não possa avançar senão mascarada para não ser esmagada por este”.[7]
A expressão “tribo urbana” foi cunhada pelo sociólogo francês Michel Maffesoli, que começou usá-la nos seus artigos a partir de 1985. A expressão ganha força três anos depois com a publicação do seu livro Le temps des tribus: le déclin de l’individualisme dans les sociétés postmodernes.[8].
Índice
Características_____________________________________________________________________
Cultura Informal
A cultura das tribos urbanas é informal[9], bem diferente das organizações ligadas ao “burguesismo”[10] permeadas pelo nosso taylorismo ocidental, que rejeita a emoção e os sentimentos coletivos (coisa típica de uma cultura empresarial[11]). O neotribalismo[12] pratica uma “solidariedade orgânica” que vai de encontro a essa “solidariedade mecânica dos indivíduos racionais”[13] do capitalismo.
Como metáfora explicativa, Maffesoli invoca dois deuses do panteão Grego: Apolo e Dionísio – duas figuras opostas[14]; Apolo, representando a razão e Dionísio, representando o mundano, o “terreno”[15].
Esses grupos não têm projetos ou objetivos específicos[16] a não ser pelo partilhamento, no “aqui-agora”.
Proxemia
As tribos reforçam “um sentimento de pertença” e favorecem “uma nova relação com o ambiente social”.[17]
A proxemia das tribos é uma faca de dois gumes. Ela pode, por um lado, ser expressa pela tolerância[18]. Um exemplo disso é a tribo dos Clubbers. Incentivados pela filosofia P.L.U.R. – Peace, Love, Unity & Respect[19] – os freqüentadores das Raves são incitados a respeitar o “meio ambiente e outras pessoas, independente de credo, raça, religião, gostos e opiniões”[20]. A outra face dessa “homossocialidade” tribal é a exclusão do “diferente” à partir da violência, coisa bem presente no fanatismo e no racismo de algumas tribos[21]. Os Skinheads em geral enquadram-se aí, tendo como inimigos declarados os estrangeiros, os mauricinhos, os gays “…e, principalmente, os anarcopunks”[22].
Não-Ativismo
O neotribalismo não se opõe frontalmente ao poder político como o faz o proletariado. Isso não quer dizer, no entanto, que as tribos urbanas sejam passivas[23] ou que não prestem atenção no jogo político[24]. O que as tribos fazem é evitar as formas institucionalizadas de protesto (comícios, greves e piquetes) das quais o proletariado se vale[25]. A resistência das tribos é mais “subterrânea”[26] valendo-se – por exemplo – da música para afirmar sua não-adesão à “assepsia social” dos mantedores da Ordem[27]. Essa “desqualificação” praticada pelas tribos, com o tempo, “corrói progressivamente a legitimidade do poder estabelecido”[28].
Fluidez & Estabilidade
Maffesoli destaca algo paradoxal nas tribos urbanas. Elas são instáveis e “abertas”[29], podendo uma pessoa que participa delas “evoluir de uma tribo para a outra”[30]. Por outro lado, essas tribos alimentam um sentimento de exclusividade[31] e um “conformismo estrito” entre seus participantes[32].
Críticas___________________________________________________________________________
Mobilidade
Há de se questionar até que ponto é verdadeira essa “mobilidade” entre tribos apregoada por Maffesoli[33]. Rivalidades entre tribos urbanas (Mods e Rockers, p. ex.) têm sido registradas desde os anos 1960 na Inglaterra[34] e, desde então, os conflitos vem crescendo bastante. Num artigo escrito para a Rolling Stone americana (dezembro de 1980), Dave Marsh lamentava a falta de união entres os fãs de Rock, citando como exemplo a crescente hostilidade entre Punks e Headbangers[35]. Os conflitos recentes entre Punks e Skinheads paulistas[36][37][38] também põe em xeque essa idéia de que alguém pode mover-se de uma tribo para outra sem maiores problemas.
Como assinalara o próprio Maffesoli, o pós-modernismo retoma muitos elementos do pré-modernismo. Os skinheads (ou “carecas”) paulistas. Obrigaram dois jovens a pular do metrô em movimento [39].
Exemplos_________________________________________________________________________
Algumas das tribos urbanas são:
* Punks
* Góticos
* Headbangers
* Rivetheads
* Emos
* Hippies
* Grungers[carece de fontes?]
* Rappers
* Pagodeiros
* Clubbers
* Skinheads
* Surfistas
* Otakus
* Geeks[carece de fontes?]
* Regueiros
* Torcedor Organizado
* Patricinhas
* Playboys
* Mauricinhos
* Preppys
* Fashionistas
* Metaleiros
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