O amor que nao quero de JESUS
agosto 26, 2010 by Jean Gabriel
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“E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me”.Mc.10-21
Um homem perguntou para Jesus como ele poderia ganhar a vida eterna, ansiando por um lugar de descanso, ansiando por uma vida mais tranquila sem as aflições do cotidiano . Ele deve ter corrido para Jesus porque achava que tinha feito o dever de casa: não matar, não roubar, não adulterar, respeitar pai e mãe e com esse currículo todo, tinha quase certeza que nada estava faltando para poder entrar na casa de Deus
Muitas vezes queremos nos aproximar de Jesus, ter relacionamento com Ele, de poder ouvir Ele falar conosco, de poder ser usado por Ele, de poder caminhar com Ele, mas não conseguimos, pois existe algo dentro de nós que Jesus deve olhar e AMAR, como fez com o homem do versículo 21 do capitulo 10 do livro de Marcos e dizer: Queria tanto que você deixasse eu entrar dentro da sua vida, queria tanto poder comandar a direção da sua vida, queria poder conversar mais intimo com você, queria deixar você Me descobrir em suas buscas, queria correr com você na praia, queria comandar suas finanças, queria ser o Elo da aliança do seu casamento, mas ainda te falta algo para mudar, ainda tem uma algo que você não consegue deixar, ainda tem um amor maior dentro de você que toma o lugar do seu amor por mim.
Muitas vezes nós estamos como esse homem, achando que já fizemos o nosso “dever de casa”, já somos bom o suficiente para poder morar com Deus, nós paramos de nos embriagar, paramos de roubar, paramos de dançar, já não somos caluniadores, ate respeitamos pai e mãe e outros até nem sonegam mais impostos!! – Já podemos perguntar para o bom mestre Jesus o que mais precisamos, mas isso pro-forma, pois sabemos o que ela vai dizer com esse nosso currículo todo: – Come in!!!
Vejo Jesus olhando para o moço, nos relatos bíblicos de Marcos 10-21, e imagino que Jesus viu no homem uma vontade de seguir Ele, tinha ate vontade de morar com Ele no Céu, mas Jesus sabia também que essa vontade dele não era suficiente para ele abrir mão da riqueza, Jesus sabe quando nos aproximamos dele cantando belas canções, que estamos cheios de intenções boas e louváveis, mas são apenas intenções. Jesus sabe que não conseguimos abrir mão dos nossos mais brilhantes sonhos quando Ele pedir, Jesus sabe que dificilmente conseguiremos deixar Ele mudar os horários das nossas agendas, dificilmente deixaremos Jesus mudar os horários dos nossos cultos, pois temos uma liturgia milenar a cumprir. Jesus sabe que não conseguiremos largar aquela vaga que tanto sonhamos e estudamos para aquele concurso e que passamos e hoje nos da tanto orgulho, Jesus sabe que nosso orgulho é grande demais para podermos receber, ainda mais se tivermos que pedir, Jesus sabe…
O texto bíblico diz que Jesus olho e AMOU o homem; vejo Jesus olhando para mim e me amando quando eu não consigo fazer as coisas certas, vejo Jesus olhando para a humanidade e amando quando ela polui o planeta, destroi a natureza, mata os animais para fazer um casaco ou uma bolsa, vejo Jesus olhando para uma prostituta nas madrugadas e amando ela com um amor que ela nunca vai conseguir em braços humanos, vejo Jesus amando, mas esse amor de Jesus para o homem, parace-me ser um amor de despedida, um amor de tristeza por não poder fazer o que o homem teria que fazer; Creio que Jesus queria amar o homem com um amor mais alegre, um amor de certeza, amor de Chegada. Existem momentos na nossa existência que temos que escolher, tomar decisões difíceis, decisões que vão doer muito, vai trazer marcas profundas, mas tem que ser tomadas. Jesus sabia onde estaria a de-cisao desse moço, Jesus amou ele com um amor de De- Cisão, Jesus sabia qual a importância que aquele moço dava ao que ele possuía, por isso Jesus o amou, mas creio que não com o amor que Ele queria.
Joberson Lopes , 26 de Agosto de 2010
http://projetobarca.blogspot.com
Confissões de um missionário…
agosto 23, 2010 by Jean Gabriel
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“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.”
Atos 20:24Gosto do termo sodalício, retirado das primeiras ordens católicas e utilizado no cenário protestante por Ralph Winter para denominar um missionário, precisamos entender o que representa o chamado missionário dentro de uma carreira e vocação de um indivíduo, para desmistificar alguns conceitos sobre sodalidade (Agencias Missionárias) e modalidade (Igrejas Locais), ou seja, esclarecer o chamado missionário de acordo com a bíblia. Quando lemos sobre o chamado de Abrão em Gênesis 12:1, ou ainda o Ide mencionado por Jesus Cristo em Mateus 28:19-20, nós erroneamente associamos estes textos somente ao termo “chamado missionário”. Durante minha adolescência e inicio da juventude sonhava com o chamado missionário para a China, as histórias de Robert Morrison, Hudson Taylor entre muitos outros, que atuaram neste país, sempre me fascinaram. Entender quem somos e porque estamos neste mundo é o que vai nos dar as primeiras ferramentas para um contexto missionário. Eu sempre associei missões à geografia, “ide por todo o mundo”, ou “saia da tua parentela para um lugar que eu te mostrarei”… É interessante quando Deus nos mostra que o Reino de Deus não é geográfico, físico ou ainda uma estrutura religiosa organizacional, ou denominacional, mas única e exclusivamente Espiritual, e não depende da atuação direta do homem para se estabelecer em um cenário ou cultura, porque este Reino já foi instituído por Jesus Cristo (Mateus 3:2-3), é bem verdade que os anjos gostariam de ter o privilégio de falar sobre o Reino de Deus aos pecadores, mas este presente divino pertence aos homens, pecadores como eu e você. A verdade é que precisamos nos encontrar em Deus, saber quem somos verdadeiramente diante do Pai, e assim, mostrar quem somos para sociedade onde estamos inseridos, que carece desesperadamente de uma identificação, perdida no Jardim do Éden por Adão e Eva, voltar para se relacionar com Deus no paraíso, seria reencontrar essa identidade retirada pelo pecado. Não podemos e não devemos classificar quem pertence ou não ao Reino de Deus, porque quem convence o homem do pecado da justiça e do juízo, é o Espírito Santo de Deus, e somente ao Espírito pertence este conhecimento, que não é revelado a nós, porque nós não conhecemos o coração do homem, todas as vezes que eu faço isso eu estou julgando alguém e por conseqüência me colocando no lugar de Deus. Outro ponto, e talvez o mais importante do chamado missionário que devemos entender hoje, são as duas características essenciais na vida de um sodalício, de acordo com os testos de Mateus 28:19-20 e Gênesis 12:1, estas características seriam: fé e renuncia. Referi-me a estes textos como sendo errôneos associá-los somente ao chamado missionário, pelo fato de que as duas principais características de um sodalício: fé e renuncia, são características principais não somente de um missionário, mas de um cristão verdadeiro, alguém que já experimentou e conheceu as verdades do Reino de Deus através do Espírito Santo, ou seja, estar inserido em um contexto missionário exige de nós a mesma interpretação bíblica para fé e renuncia de um cristão que esteja inserido em um contexto de Igreja local. Podemos afirmar com isso que todos os cristãos são missionários? Na verdade não, Sodalidade é uma coisa, e Modalidade é outra bem diferente. Cada uma vai ter seu significativo papel dentro do Reino de Deus, nenhuma dessas estruturas redentoras será mais importante do que a outra, elas deveram caminhar juntas, cada uma desempenhando seu papel pré-estabelecido por Deus. Quando lemos sobre o corpo de Cristo em I Coríntios 12:12-31, devemos nos atentar para o caminho mais excelente que é o amor citado em I Coríntios 13, creio que a falta de amor entre os cristãos da era moderna é o grande causador das problemáticas urbanas presentes nos dias de hoje, nós não nos amamos como Igrejas e como Agências Missionárias, refletindo assim um deus pouco interessante para a sociedade, um deus que não será resposta, luz para os que buscam justiça, e alivio para seus fardos através da Paz Verdadeira, porque essa paz verdadeira nunca existirá em nosso meio, se ali não existir o amor verdadeiro. O chamado missionário deve ser encarado como uma segunda decisão. A primeira nós tomamos através do arrependimento de nossos pecados e a total entrega de nossas vidas a Jesus Cristo, entendendo e aceitando o seu sacrifício na cruz do Calvário (fé e renuncia). A segunda decisão será entender que, você pode e deve estar inserido em outro contexto, diferente da modalidade, mas não independente dela, é você quem vai optar ou não por estar em missões. Deus não vai deixar de te amar ou te abençoar, por você escolher estar servindo a Ele em uma Igreja local, ou ainda diretamente na sociedade através de um emprego formal, sua intimidade com Deus é que vai definir seu relacionamento com Ele, não depende do contexto em que você esteja inserido. O chamado missionário é para todos os cristãos verdadeiros, mas é você que escolhe aceitá-lo ou não. Nos tempos da era digital, ou na chamada era da informação, você terá um papel importante dentro da busca dessa geração por identidade, e nesse tempo da história estabelecido por Deus para cada um de nós. Veja a afirmação de Erich Fromm: “Hoje em dia nos deparamos com indivíduos que se comportam como autômatos, que não conhecem ou compreendem a si mesmos, e a única pessoa que conhecem é a que pensam ser, alguém cuja a conversa vazia substituiu a comunicação real, alguém em quem o sorriso sintético tomou o lugar do riso genuíno e a sensação de desespero total ocupou o vazio deixado pela dor autêntica. Duas coisas podem ser ditas de tais indivíduos: A primeira é que sofrem de defeitos aparentemente incuráveis, como a falta de espontaneidade e personalidade. Ao mesmo tempo, podemos dizer que eles não diferem de milhões de pessoas que, como nós, caminham pela face da Terra.” Entender quem você é em Deus, o tempo em que nos encontramos, e a religiosidade e alienação vivida pela igreja pós-moderna, vai te dar recursos primordiais para um relacionamento mais profundo e duradouro com o Pai, e vai te deixar claro em que contexto do corpo de Cristo você deverá servi-lo melhor. Deus chama a todos os cristãos verdadeiros para serem missionários, mas Ele entende que nem todos estarão aptos para determinadas tarefas e situações propostas na vida de um sodalício. A idéia do corpo e seus respectivos membros são fundamentais para entendermos esses paradigmas da vida cristã. Cada um tem seu lugar e função específica, no corpo de Cristo. Posso dizer que minhas experiências como sodalício tem me dado um prazer nunca antes experimentado na modalidade, não associo isso ao fato de ter servido a Deus somente na igreja, mas ao fato da alienação proposta por ela em grande parte de minha caminhada cristã, tive que me libertar de minha religiosidade e ostracismo, praticamente sozinho, a ajuda que recebi lá dentro foi quase que insignificante, mas amar a modalidade, e tudo o que ela é, e tem feito por nossa sociedade, tem sido meu desafio nos dias de hoje, é fácil amar quem se parece comigo, o difícil é amar quem é diferente de mim. Eu fui criado no evangelho, em uma Igreja de linha protestante histórica com um profundo zelo pelo estudo e ensino da Palavra de Deus, característica essa que eu vejo pouco entre os evangélicos de hoje, eu não tive que experimentar drogas lícitas ou ilícitas, tive uma criação exemplar e dou graças a Deus todos os dias pela herança cristã que meus pais deixaram para mim, mas o meu hedonismo cristão, não me permitiu enxergar as mazelas da sociedade estabelecidas pelo pecado. Quando comecei a enxergar o mundo como ele é, eu tentei estourar minha bolha gospel, e ainda bem jovem eu queria ser resposta e reflexo de Jesus Cristo, mas eu não sabia como. A Igreja não me ensinou a amar o pecador como Deus nos ama. Depois que eu entendi sobre a Graça e seus benefícios em termos de qualidade de vida para uma sociedade que ama e vive os valores do Reino de Deus, eu passei a amar os excluídos e marginalizados de nossa sociedade, entendi que minha herança cristã me livrou de um futuro triste, desgraçado e assolado pelo pecado, eu nunca enxerguei um marginalizado como uma pessoa pior do que eu, mas eu sempre me via nesses indivíduos, a misericórdia foi presente em minha vida logo cedo. A ignorância dessas pessoas sobre Deus e seu profundo amor, é em grande parte nossa culpa, uma vez que você conhece as verdades de Deus, você se torna responsável por essas verdades, e pelas pessoas que não as conhecem. A escoria presente em nossa sociedade, não são as prostitutas, os travestis, os viciados os ladrões ou os políticos corruptos, são os cristãos que conheceram uma verdade que poderia mudar e salvar a historia de todas essas pessoas. Imagine uma pessoa que o mundo não aceita seus desvios de conduta, e sua bagagem de erros, as destruições de famílias causadas por ela, além de sua própria família, é claro, sua triste e apavorante história de vida. Imaginou? Pois é. Tentar inserir essa pessoa em uma modalidade foi o que acabou me frustrando dentro da instituição, hoje eu tento me encontrar em um contexto evangélico brasileiro, onde eu não encontro as pessoas que eu me importo de verdade, para ser influencia ali também. Aos 17 anos eu me questionei com Deus, pois eu não queria mais perder meu tempo evangelizando crentes assíduos de Igrejas, e não teria mais a vida ativista dentro da modalidade, passando horas de meu dia preparando estudos e projetos somente para abençoar os crentes, eu queria estar inserido diretamente na sociedade, se meus líderes tivessem me preparado melhor para isso, com certeza eu não teria sofrido tanto, e dado com a cara no muro por dezenas de vezes. Hoje dentro de sodalidade, eu já não trabalho como antes, somente com os excluídos, minhas atividades nesta área estão sendo esporádicas, tenho sido convidado para dar estudos e palestras para jovens evangélicos que estão iniciando projetos com Missões Noturnas, alem de participar uma vez ou outra de evangelismos noturnos com antigos grupos interdenominacionais, que ajudei a criar. Tenho aprendido a amar e servir a Igreja como na minha infância e adolescência. Tento influenciar jovens a saírem das quatro paredes, não abandonando a instituição, como eu quis fazer, mas amando e servindo, e principalmente sendo resposta para ela também. Deus me falou através de um pastor e amigo, quando eu questionava porque a igreja não gastava tempo e recursos com os menos favorecidos e os marginalizados pela sociedade. Deus me chamou de hipócrita e mentiroso, porque eu queria abraçar e amar os excluídos, mas sentia nojo dos meus irmãos, e eu somente os criticava. Em um dia logo bem cedo, em minha meditação, Deus me falou sobre como era importante para Ele esse momento que eu tirava para conversar com Ele. Em um texto de Marcos 7:31-37, Deus me falou como ele abriria meus ouvidos e soltaria minha língua, afatá foi à palavra usada por Jesus para abrir os ouvidos do surdo e gago. Ele separou aquele jovem da multidão para curá-lo, Deus me disse que a cura da minha religiosidade e quebras de paradigmas, dependeria de minhas meditações diárias, momentos que eu estaria a sós com Jesus, para que Deus falasse comigo durante o restante do dia. Eu não sei qual é a forma que Deus usa para falar com você, e como Ele se manifesta em sua vida, mas eu sei que independente da forma que você escolheu para servi-lo, Deus respeita e admira muito essa escolha, aprender a co-criar com o Pai vai te ajudar a servi-lo melhor, durante minha caminhada cristã eu aprendi a somente copiar métodos e formas pré-estabelecidos por minha instituição religiosa, me tornando assim uma pessoa individualista e preconceituosa, principalmente entre os pentecostais e os não crentes, eu não enxergava no próximo as qualidades e as características de Deus. A interdependência também vai te ajudar a respeitar e amar seu próximo, ela é um fator muito importante na vida de um individuo que se propõe a viver o verdadeiro Evangelho do Reino de Deus. A resiliência vai te dar outra postura diante das adversidades que a caminhada cristã vai gerar em seu dia a dia, dentro ou fora de uma sodalidade ou modalidade. Você quer saber se tem um chamado missionário? A resposta você já sabe, pergunte-se agora se você quer responder a este chamado. A igreja muitas vezes pode ser apenas mais uma zona de conforto entre as muitas centenas que temos em nossas vidas, a questão é, até que ponto essa zona de conforto pode atrapalhar sua comunhão com Deus? Isso pode acontecer dentro de uma sodalidade também. Nossa fé e total confiança devem ser depositadas somente em Deus e em suas promessas. Há alguns meses atrás eu adquiri uma dívida de um valor significativo na base missionária onde eu estava atuando. Em uma oração, eu fui argumentar meus anos gastos para a obra de Deus dentro de uma modalidade, a resposta de Deus foi muito clara: Eu nunca pedi para você fazer todas aquelas coisas, eu sempre te amei do jeito que você é! Você trabalhando para mim ou não. O amor de Deus nos constrange tanto, que às vezes da até vergonha de orar. Durante muito tempo eu fui para Deus um servo prestativo, mas muito pouco um filho amoroso. Cuidado com o excesso de atividades dentro da Igreja, o ativismo pode te tornar religioso e até te afastar do relacionamento com Pai, não troque seus momentos de intimidade com Ele no secreto de seu quarto, por estudos, projetos e metas de uma modalidade, estabelecidos por líderes e pastores, e não especificamente por Deus. Em outra situação eu comecei a orar por um notebook, e foi interessante que depois eu pensei bem na minha dívida para com a base, e no fato de eu não ter um desodorante, e eu ainda lavava meu cabelo (que por sinal é comprido) com um sabonete de R$ 0,60 que ganhei de um amigo já tinha mais ou menos duas semanas. Deus começou a me chamar a atenção para minhas prioridades. Saber o que é relevante, supérfluo e urgente é muito importante para evitar dores de cabeça na hora do aperto. Sinceramente, eu não acho bonito e nem motivo de orgulho eu passar por necessidades ainda hoje dentro de um contesto missionário. Ainda mais no meu caso, porque eu conheço Igrejas e Pastores que estão em uma situação financeira muito mais abundante e abençoadora do que eu. Visitei Igrejas de amigos que se recolhem ofertas e dízimos com máquinas portáteis de cartão, o diácono pergunta: É débito ou crédito? Também não acho, pelos outros missionários, que por viverem no mesmo contexto financeiro que eu, são extremamente generosos e sabem dividir o pouco que tem. Durante uma visita em uma Igreja em Macaé no Rio de Janeiro uma pastora encheu a boca para dizer que a reforma do banheiro feminino tinha custado R$ 15.000,00, e que pela misericórdia de Deus a preletora do próximo congresso de mulheres, cobraria a metade do valor convencional, que era apenas R$ 4.000,00. Naquela mesma semana, eu tinha sido repreendido por minha líder, por que eu estava usando a margarina que só poderia ser usada no café da manhã, e que pertencia ao grupo todo, para lanchar de tarde, cada membro de minha equipe tinha seu pote de margarina particular na geladeira, menos eu. Também me lembro que eu não tinha o dinheiro das passagens para fazer os trabalhos com minha equipe em um albergue da prefeitura, que era em outro bairro, todos os dias que eu me encontrava na escala, alguém tinha que pagar minha passagem de ida e de volta, eu ficava mais aliviado quando pegávamos carona com um dos funcionários do albergue. Trabalhar com a população em situação de rua que estava em processo de re-socialização, me dava à idéia e a certeza que mesmo não tendo R$ 1,00 no bolso, eu ainda era muito abençoado. Principalmente por causa dos meus amigos e irmãos, que sempre me abençoaram com o pouco que tinham também. Às vezes é muito mais legal e significativo para um missionário, quando ele mesmo pode pagar suas coisas e não dependa dos outros, para tomar um sorvete por exemplo. Infelizmente o dinheiro é o que nos torna pessoas respeitadas, dentro de um contexto cristão evangélico brasileiro isso não é muito diferente, estar em sodalidade hoje, para mim é rejeitar esse sistema sujo e desumano. Na maioria das vezes é mais prazeroso e até mais relevante, estar sentado no chão de um beco escuro e úmido que fede a urina e fezes, conversando com um velho amigo que é morador de rua, do que estar sentado em um banco acolchoado, com um ambiente climatizado por ar condicionado, de uma linda igreja com pessoas cheirosas e bem vestidas ao meu lado, aonde um pastor vai me ensinar como usufruir de todas as promessas de Deus, e como ser prospero em todas as áreas da minha vida. Creio que tudo depende de sua cosmovisão, como você enxerga o mundo é o que vai definir sua postura diante de Deus e da sociedade. Não conte quantas almas sua Igreja já ganhou para Cristo, ou para ela mesma, não confunda inchaço com crescimento. Talvez este número de almas não impeça que a morte bata na porta dos vizinhos de sua Igreja todos os dias, através dos vícios, da violência ou do vazio existencial presente na depressão, mas pergunte para Deus, o que isso tem significado para que o Reino de Deus seja estabelecido com justiça e em verdade, em uma sociedade onde um traficante tira a vida de um jovem por causa de um baseado de R$ 2,00. No país do futebol e único penta campeão do mundo, a sociedade (adultos, jovens, velhos, crianças, homens e mulheres de todas as classes sociais) são mortas lentamente por uma pedra que é um pouco menor que o tamanho de um grão de feijão, que custa em torno de R$ 3,00. Neste país esta sobrando crack. Ou o que significa para uma estrutura evangélica que o banheiro feminino, vale muito mais do que as pessoas que estão do lado de fora dessa estrutura. Quanto vale uma vida humana para você? Quanto vale uma alma para Deus? Seja mais intencional e crítico, nas coisas que você lê, ouve e enxerga dentro ou fora de sua Igreja. Recentemente eu questionei um estudo publicado por uma revista de E.B.D. Fluminense, que é veiculada em minha denominação em todo o Brasil. Eu deixei claro que não queria meu e-mail publicado, eu encontrei várias discrepâncias nos estudos trimestrais, e ao ser contatado para que diminuísse meu texto e autorizasse a publicação eu não achei interessante, até porque eu não sabia a opinião dos autores sobre meus comentários, a resposta foi imediata e bem contundente, que os estudos eram feitos por grandes homens de Deus (pastores) e revisados por teólogos extremamente capacitados, o chato mesmo foi que além de publicarem meu texto sem minha autorização, na seção de cartas dos leitores onde se lê apenas pequenos parágrafos escritos por leitores, e normalmente elogios, eu tive meu texto editado e mesmo assim me rendeu duas páginas frente e verso, o nome da Igreja que eu congregava no Rio a qual eu não sou membro foi citado, dezenas de comentários ásperos de lideres denominacionais, e uma resposta nada amigável na edição seguinte da revista do pastor e autor dos estudos. O nosso sistema evangélico brasileiro tem forte influência do catolicismo primitivo, nossos líderes e pastores são considerados semideuses na terra, e por isso não podem e não devem ser questionados, neste sistema papal, é atribuída uma autoridade espiritual, que não pertence e nunca vai pertencer a homens, mas somente ao cabeça da Igreja, que é Jesus Cristo, o único que não pecou. Essa é uma das razões pela qual, quando um desses líderes é pego em pecado, eles rapidamente serão excluídos e mais tarde demonizados, e muito raramente seu atos de justiça, e boas obras para o Reino de Deus, serão lembrados pelos cristãos. O caso do Pr. Caio Fábio é o mais conhecido. Isso não é comum em minha denominação, mas uma forte característica destes homens e mulheres de Deus, é ter seus nomes em letras garrafais, junto com suas fotos nas placas das suas denominações. Normalmente os ministérios destes apóstolos, bispos e pastores, serão assumidos por seus filhos ou parentes próximos, como uma espécie de nepotismo evangélico. Outra forte característica deste sistema evangélico papal, é a venda de indulgências e terrenos no céu, através de amuletos, dízimos e ofertas. Como por exemplo, uma bíblia que vai te ensinar a ser próspero financeiramente, adquirida pela bagatela de R$ 900,00 . Bagatela esta, popularmente conhecida como oferta voluntária. Deus me livre e me guarde desses indivíduos que usam o nome de Deus para comprar jatinhos de luxo particulares, com simples argumento de que precisam pagar seus programas de televisão. Muitos cristãos oram para que Deus os livre do caminho do homem perverso, eu faço minha oração um pouco diferente, até porque eu sempre vou encontrá-los nas madrugadas e pelo fato de que eu sempre morei em periferias e redutos de marginais. Eu clamo ao Pai hoje, pela sua graça e misericórdia, sobre minha vida, para que eu aprenda a respeitar amar e honrar esses líderes, assim como eu tento respeitar, amar e honrar os caras maus que vivem na minha quebrada, ou que eu conheço nas ruas. Meio ambiente, política, educação, segurança pública, esporte, lazer, transporte, saúde, religião, arte e cultura entre muitos outros temas, que afetam a mim, a você e ao nosso próximo, devem estar na mente e no coração daqueles que se intitulam “Povo de Deus”. Sinceramente me desculpe se eu ainda choro quando vejo no jornal da TV políticos orando para Deus abençoar o dinheiro público desviado, ou a mídia que faz da morte um meio de ganhar dinheiro, como no caso do casal Nardone, ou pior, uma Igreja chamada evangélica se vendendo para este sistema satânico. Mas como sodalício eu me comprometi a ser voz contra injustiça, e eu gostaria de ter irmãos dentro das modalidades e das sodalidades marchando e gritando junto comigo, e me apoiando nesse sentido. Quando penso que eu, e provavelmente meus filhos e netos, não verão os resultados daquilo que eu acredito e prego, dentro da proposta de Reino que Deus tem colocado em meu coração, parece até ser frustrante, mas para mim, trabalhar com a abstração, é muito mais um exercício da fé, e uma visualização das bênçãos vindouras para as próximas gerações. Enxergar o invisível é o que vai me dar forças e aumentar minhas esperanças para continuar lutando, nestes dias que são tão maus. “Minha consciência é escrava da Palavra de Deus” (Martinho Lutero)
Robert Itamar Alves da Costa JOCUM Floripa a partir do Rio |
De Igreja hospital para Igreja Circense!
agosto 23, 2010 by Jean Gabriel
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Quando criança, eu fui criado em hospitais, desde os 2 anos de idade tenho bronquite asmática, meu pai era militar e graças a Deus eu nunca tive que esperar em uma emergência para ser atendido, e por diversas vezes escapei da morte, lembro bem que em uma das minhas crises mais fortes quando adolescente, tive duas paradas respiratórias dentro do carro, indo para o hospital. Mas como tudo que é bom, dura pouco, minha dependência do plano de saúde de meu pai durou até a minha maior idade.
Depois disso passei a depender do nosso “maravilhoso SUS” (Sistema Único de Saúde) que como afirmou o nosso presidente em uma antiga entrevista: “A saúde publica no Brasil está beirando a perfeição!”
Eu entendi que o Lula realmente nunca mais foi em um hospital público, depois de se tornar líder sindical e presidente da república, será que naquela época, os hospitais públicos eram bons?
Mas o que realmente me deixa chateado, é saber que impostos são cobrados, e não são poucos, para que o povo brasileiro tivesse um pingo de respeito, o dinheiro nós já demos, mas onde será que ele vai parar, que não está sendo empregado onde deveria?
Recentemente, eu estava em um culto e ao final fui lanchar com uns amigos, ao chegar ao shopping, o lado direito das minhas costas foi tomada por uma dor insuportável, a dor era tão forte que meu braço adormeceu, sem saber o que fazer, tomei dois comprimidos de dorflex que minhas amigas compraram para mim, (aprendi com um amigo de BH) e até que a dor aliviou um pouco, eu nem consegui comer direito.
No dia seguinte, eu me aventuro no hospital público da minha cidade, ao chegar bem cedo, o hospital já estava lotado parecia o show do Woodstock em 69.
Depois de muitas horas, consegui chegar até a triagem, (detalhe, eu estava na emergência) a enfermeira educada como uma porta faz uma rápida entrevista e me manda para uma cadeira do lado de fora da sala para medir minha pressão, mais gente na fila, depois para o consultório, eu só sei que depois de muitas horas quando fui atendido, o médico não olha em meus olhos e não toca em mim, faz algumas perguntas, receita uma injeção, e alguns exames. Depois de um dia cansativo, foi diagnosticado, um espasmo muscular, o médico receitou alguns remédios, que por sinal não tinha na farmácia que dá os remédios de graça e eu fui embora, gastei a grana que não estava prevista, e fiquei tomando os remédios, passando alguns dias a dor não parou, e pior, agora era no peito. Voltei no hospital, a mesma novela para ser atendido novamente. Outro médico, outro diagnostico, dessa vez correto, pneumonia!
Pensando e refletindo em tudo o que tinha me acontecido, me lembrei de que no primeiro dia uma senhora já de idade bem avançada chegou sentindo fortes dores na perna, ela estava com o tornozelo inchado e não podia tocar o pé no chão, ela tinha levado um tombo, provavelmente estava com a perna quebrada, ela teve que passar por todo aquele processo também. A forma como ela estava sendo tratada me deixou indignado, e apesar de também estar sentindo uma forte dor, e estar a várias horas esperando, não pensei duas vezes em permiti que ela passasse na minha frente, mas os outros pacientes não foram tão pacientes, e eu nem poderia culpá-los, muitos haviam chegado com suas crianças de madrugada.
O descaso, nestes hospitais, com os velhos as crianças e todo mundo que tenta ser atendido descentemente e luta pelos seus direitos, me fez lembrar como anda o Hospital para as nossas almas, mais conhecido como Igreja.
Quando eu morei na Região Sul do país, eu freqüentei uma igreja, durante dois meses, eu assistia três cultos na semana, após um mês e meio eu recebi meu primeiro: Boa noite, seja bem vindo! Muito feliz com a atitude daquele irmão eu fui procurá-lo, para minha decepção, sua simpatia e educação era ligado diretamente ao seu regionalismo, ele era carioca, morava no Sul há 14 anos, como eu queria que ele fosse sulista!
Para completar minha triste desventura nesta igreja, em um culto de domingo à noite eu estava sentado na galeria, quando eu avistei um morador de rua entrando no templo, meu coração até bateu mais rápido, Deus sabe como eu curto e considero esses caras! Para mais uma decepção minha, o diácono da recepção, educadamente pediu para o homem se retirar, usando o argumento de que o templo estava lotado e não tinha lugar para ele se sentar.
No inicio de 2010, eu fui convidado para pregar em uma Igreja Batista, mais o inusitado, foi à proposta do pastor, ele pediu que eu me vestisse de mendigo, e quando ele fosse apresentar o pregador da noite eu apareceria lá na frente, como eu topo tudo pela graça, graça divina é claro, rapidamente me prontifiquei, a receptividade até que foi boa na hora de cumprimentar os visitantes, mas depois da minha mensagem, alguns irmãos vieram me pedir perdão, pois ficaram com nojo, ou constrangidos de vim me cumprimentar na hora do louvor, deu para perceber que eu caprichei no disfarce, uma irmã em especial me chamou a atenção, ela me disse o seguinte:
-Missionário, eu preciso pedir perdão a Deus, e em segundo lugar a você, quando o pastor mandou que nós abraçássemos nossos visitantes, eu não vi em você uma pessoa digna de um abraço, e nem de estar neste lugar…
Seus olhos estavam marejados em quanto ela se desculpava. Essa irmã pelo menos pediu perdão, mas quantos de nós negligenciamos, um abraço, um boa noite ,ou um simples sorriso?
Alguns historiadores narram que Mahatma Ghandhi, era um grande admirador do cristianismo, e estudioso da Palavra também, em uma de suas visitas a um templo protestante inglês, ele sentiu na pele e no coração o preconceito dos cristãos para com os indianos, Ghandhi dizia que o Cristo dos cristãos era maravilhoso, pena que eles com suas praticas, colocavam o Deus que eles criam e pregavam em uma caixa de sapatos.
Passados vários anos após a sua morte, hoje não é muito diferente o descaso da Igreja, e eu não me refiro somente aos excluídos ou marginalizados, mas quanto a toda a sociedade, este descaso tem sido gritante, nossos cultos nossas pregações e nossos discursos, muitas vezes são enganosos e controversos, caem na mesma ladainha de muita teoria e pouca ou nenhuma ação. Não queremos tirar Deus da caixa de sapatos, para poder manipulá-lo melhor. É interessante pensarmos que quando nosso cachorro fica doente, nós o levamos em um veterinário particular, ou seja, caro. Se nós vamos ajudar um necessitado, nós o deixamos na porta de um hospital público, que na maioria das vezes parece um açougue. Os cães têm um tratamento digno, e o ser humano, a imagem e semelhança do Criador, tem o SUS.
Mas graças a Deus, que muitos líderes tem se despertado, e feito de suas Igrejas verdadeiros hospitais para as almas cansadas e sofridas, tem se pregado o verdadeiro Evangelho do Reino de Deus, onde pessoas têm sido abraçadas pela Graça, e o Amor do Pai. Louvo a Deus por esses pastores e líderes que entenderam que Jesus Cristo veio para enfermos e não para os que estão sãos, e que Jesus não veio sarar o bolso de ninguém.
Suas vidas e suas palavras levam as pessoas ao arrependimento real de seus pecados, evangelizam com atitudes e não somente com palavras.
O problema é que, muitas igrejas (com letra minúscula), querem ser como a saúde pública no Brasil, tratam com descaso a sociedade, se fechando a ponto de, em vês de se parecerem com hospitais para as almas feridas pelo pecado, mais se parecem com verdadeiros circos evangélicos.
Nesses lugares nós vemos um bando de palhaços querendo aparecer na ora do louvor, vamos ver quem pula ou grita mais alto! Profetisas de postes, que ouvem as conversas nas ruas e levam para os cultos em forma de revelações, com várias manifestações chamadas espirituais se fazem parecer dançarinas de can-can cheias de pseudo-santidade. Pastores bispos e apóstolos disputam o lugar dos mágicos, quanto mais glossolalias e curas divinas, mais espirituais os tais são considerados, fazem desaparecer dízimos e ofertas em um passe de mágica. Líderes de jovens se digladiam por células, e por almas que são tratadas como números ou metas, (apenas pedaços de carne) eles fazem de tudo para tomar os discípulos uns dos outros, eles seriam bons domadores de leões. Corajosos e destemidos, jogariam a própria mãe em uma jaula de leões famintos, só para ser o 12 de algum pastor figurão. Os discípulos coitados, esses são apenas espectadores, que sonham em ser um desses artistas circenses, o problema é que cada culto no picadeiro, não é de “graça”, que, aliás, anda bem longe dessas igrejas, eles tem que pagar o ingresso, que não costuma ser barato, quando o espetáculo é televisionado fica pior, vai ver quanto que é a entrada de dízimos e ofertas de uma igreja circense que tem programas de TV, afinal são muitos funcionários para bancar, nessas igrejas ostentar prosperidade é uma forma de evangelismo, e até que funciona, desde que eles não tenham que largar a vida circense, ta beleza!
Hospital? Deus me livre! Ele me chamou para receber o melhor dessa terra, Deus me constituiu por cabeça e não por cauda, e onde eu colocar meus pés, esse lugar será abençoado!
Se eles quiserem assistir o culto de um picadeiro, quem sabe Deus não cura as feridas deles?
Assim é o discurso, de muitos líderes circenses.
Se vocês já leram outros textos meu, já devem ter percebido que eu critico bastante as igrejas que não cumprem sua missão bíblica, creio que tenho autoridade para isso, pelo fato de, durante muito tempo ter feito parte dessas igrejas descompromissadas, e permitir que minha religiosidade fosse mais importante que o ser humano, como os caras que crucificaram Jesus. Eu não pedi exclusão ou me desliguei de minha Igreja local, conseqüentemente de minha denominação, eu entendi que os agentes transformadores somos nós, e não a estrutura física ou denominacional, o templo do Espírito Santo, sou eu e você. Não espere sua Denominação ou Igreja local, se voltar para a sociedade e ser resposta, seja você em Deus esta resposta, seja eu e você reflexos de Jesus Cristo.
A pergunta que fica para nós é: Eu como templo do Espírito Santo, Igreja viva do Deus Vivo, tenho sido como referencia para a sociedade, um enfermeiro do Médico dos Médicos, ou um palhaço de uma igreja circo de Satanás?
Em quanto isso o mundo lá fora continua na mesma, mortes, violência, corrupção, etc…
Espero em nome de Jesus Cristo, que você não dependa nunca de um hospital público brasileiro para sobreviver, e nem de uma igreja circense para servir a Deus…
“Respondeu-lhes Jesus: Não necessitam de médico os sãos, e, sim, os enfermos.
Eu não vim chamar os justos, e, sim, os pecadores ao arrependimento.”
Lucas 5:31-32
Robert Itamar Alves da Costa
JOCUM Floripa a partir do Rio
Menos religião para o Brasil
agosto 19, 2010 by Jean Gabriel
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Em 2003 o Diogo Mainardi, antes de sua paixão semanal pelo governo Lula, escreveu no periódico onde esparrama os seus rascunhos, um artigo, no mínimo equivocado, intitulado “Menos deus, por favor“. Ele fecha a redação afirmando: “Precisamos de menos deus”. Bom, aqui do meu palantir já vejo a turba de fãns deste genial colaborador da república preparando as pedras para a minha execução. Tudo bem, podem jogar. Por certo eu devo ter o direito de achar que ele foi infeliz na sua exposição, muito embora exista verdade em algumas de suas colocações.
A religião exige perfeição. Já o evangelho, integridade. E como a religião não poderá levar ninguém a perfeição, ela mente. Apresenta uma realidade florida para satisfazer o homem, massageando-lhe o ego com promessas de consolo que não pode cumprir. Promete o placebo, o alívio, o extase em troca de sacrifícios. Ela estimula a vida dupla, pois o religioso percebe ser impossivel atingir a perfeição proposta, e assim como mentiu-lhe a religião, ele mente pra sí mesmo. O evangelho não exige perfeição, mas integridade, integralidade, não-divisão. Enquanto a religião dicotomisa o mundo, separa o sagrado e dominical do secular e cotidiano, o evangelho apresenta estes mundos como um só. Todos coexistentes na mente criadora de Deus.
* No artigo o Mainardi diz que está torcendo contra todos os atletas que expressam suas convicções religiosas. E diz estar muito satisfeito com o futebol do Kaká estar cada dia pior…
Por Adriano Estevam em http://www.estevam.org
Sadu Sundar Singh – O Apóstolo dos Pés Sangrentos
agosto 18, 2010 by Jean Gabriel
Filed under Artigos, Religião
“Um jovem hindu deserdado e sem casta, maldito no lar de seus pais e na aldeia em que nascera, caminhava pela estrada que de Simla se dirige a Sabatu, com a alma inundada de alegria. Paradoxal alegria, à qual já se mesclava preocupação gravíssima: o batismo, se lhe resolvera os problemas espirituais, selando sua consagração a Cristo, não lhe dava contudo orientação sobre o rumo a imprimir à vida. Não lhe seria possível continuar vivendo da boa vontade dos missionários. Quê faria?
Todas as suas forças e tendências se dirigiam para um rumo: a pregação do Evangelho. Precisava remir o tempo perdido, desfazer os males que causara aos pregadores de Rampur. Mas pregar como? Passar encerrado no Seminário, receber lições de Teologia, de Grego, de Latim, assimilar por processo exaustivo e mecânico a piedade de outros homens; pastorear depois uma igreja, viver preso à paróquia e a seus pequeninos problemas gerados pela eterna mesquinharia do homem; esgotar-se nas intermináveis e nem sempre edificantes discussões e atitudes de Concílios, para depois, e uma vez mais, afundar no lago parado da rotina paroquial? Fazer cuidadosas distinções dogmáticas, demonstrar onde estava o erro dos presbiterianos, onde o dos metodistas e afirmar vitoriosa e invariavelmente que o Caminho, a Verdade e a Vida residiam no seio da Igreja de Inglaterra, que o batizara? E a qual dentre as correntes que nela se digladiavam haveria ele de se filiar?
Engolfado em tais pensamentos, à sombra fresca de pinheirais de Sabatu, seus olhos caíam muitas vezes nas neves que faziam fundo à paisagem. Himalaia! As águas que ali nasciam, na neve permanente, rasgavam na pedra da montanha o leito por onde correriam. Dispensavam concurso humano. Conseguisse ele manter sempre a íntima união com Cristo que agora possuía e poderia dispensar a organização eclesiástica e os canais com que ela orientava o rumo da piedade dos fiéis. Mesmo porque a europeização da Índia era ingrata tarefa que a igreja evangélica indiana parecia apostada em levar a cabo – e isto lhe repugnava.
Fortes laços emocionais o prendiam à terra onde repousava sua mãe, e aos costumes da infância. Não se convertera à civilização ocidental, mas ao Cristo Universal.
(…)
‘Dá-se o mesmo com a Água Viva. Os hindus precisam dela, mas dispensam a xícara européia’.
Mas como criar uma vasilha hindu para a nova bebida? Não! Era a bebida eterna! As formas de devoção da Índia a buscavam, tacteantes e desesperadas. Bastava tomar a melhor dessas formas de devoção e enche-la do líquido cristalino e refrigerante.
Trinta e três dias após o batismo, vendeu como pôde os escassos objetos que possuía, comprou na aldeia a roupa amarela de sadu, envergou-a e, descalço, levando em uma das mãos o Novo Testamento em urdu, tomou o rumo do sul.
Seria desse dia em diante, O Sadu.
Sadu, palavra sânscrita que significa reto, adotada para designar uma classe especial de religiosos veio a ter sentido de puro, santo. É quem se consagra inteiramente à religião, abandonando para sempre qualquer veleidade mundana. (…)
Vestidos com a roupa cor de açafrão que tão facilmente se distingue, caminham geralmente descalços, sem pouso fixo. Nas aldeias e nas cidades todos têm prazer em dar-lhes uma escudela de comida, um leito de palhas, uma hora de palestra. Seus conselhos são respeitados, suas maldições temidas. O viajante que percorrer as margens dos rios sagrados, freqüentemente encontrará esses santos imersos em meditação ou ocupados em flagelar-se pelos mais engenhosos processos, ou rezando com monotonia.
Tão intimamente relacionada com o paganismo hindu estava a vida do sadu, que era necessário mais que simples originalidade para adota-la e pregar o cristianismo. A Igreja receberia tal idéia com escândalo e desagrado; e os mesmos hindus que o acolhessem, ao verificarem que o Santo-Homem era apenas um maldito cristão de casca amarela, possivelmente se vingariam ferozmente do logro.
Mas Sundar Singh não estava à procura de um artifício: queria ser sadu e não apenas vestir-se de sadu. Possuiria a mentalidade do sadu, com alma de cristão.”
Quem é seu Inimigo?
agosto 18, 2010 by Jean Gabriel
Filed under Artigos, Governo, Religião
Durante a segunda guerra, bombardeiros ingleses realizaram muitas missões na europa. Entretanto a artilharia antiaérea do eixo, formada especialmente pelos famosos canhões de 88mm Flak de longo alcance, era um difícil obstáculo de ser transposto. Nunca fui especialista ou interessado em armas, mas aprecio história. A munição deste tipo de peça de artilharia era perfurante, composta também de uma carga explosiva com alto poder de detonação, causando a destruição do alvo quando atingido.
Ouvi a história (não posso garantir se verídica ou não em todos os seus detalhes) de um piloto que participou de várias destas missões. Imagino que por certo perdeu muitos companheiros. Ele conta que numa certa ocasião, sua aeronave foi atingida, exatamente num dos tanques de combustível, porém o artefato não explodiu. Ele conseguiu trazer a aeronave de volta a sua base na Inglaterra pousando em segurança.
Depois de pousar, pediu ao mecânico que retirasse o projétil do tanque, pois ele gostaria de quardá-lo como souvenir. Para a surpresa do piloto, os mecânicos, acharam não apenas um, mas onze projéteis. Nenhum deles explodiu. Claro, isto intrigou mais ainda o piloto e sua equipe. Decidiram abrir os projéteis, e perceberam que todas as cápsulas estavam vazias. Não havia carga explosiva em nenhuma delas. A única coisa que encontraram dentro de uma delas foi um pequeno bilhete, escrito em tcheco que dizia “Isto é tudo o que posso fazer por vocês agora”.
Não se sabe se aquele era o resultado do trabalho de um soldado solitário nas linhas inimigas, insatisfeito com a posição do seu país no conflito, ou se era o esforço de um aliado infiltrado empenhado em desarmar a munição da artilharia inimiga. O que me salta aos olhos, é que este era um desconhecido tentando fazer alguma coisa. Ele descobriu quem era o seu real inimigo. E nesta descoberta, fez o que esteve ao seu alcance, arriscando a própria vida, salvando assim muitas outras.
Cada um é capaz de extrair a aplicação que desejar deste pequeno relato. Mas quanto a mim, quero hoje fazer o que estiver ao alcance para desarmar este grande aparato de desesperança mundial. Quero identificar e lutar ferozmente contra meu real inimigo, e meu algoz não é igreja ou mortal algum. Meu inimigo é a morte, seus parceiros e servidores.
O que você pode fazer hoje para desarmar o aparato destruidor da morte e desesperança em nossa geração?
Extraído de: http://www.estevam.org/teologia_digital/quem-e-seu-inimigo
A RESPONSABILIDADE DA FÉ CRISTÃ PARA COM AS QUESTÕES ECOLÓGICAS DOS DIAS ATUAIS
agosto 18, 2010 by Jean Gabriel
Filed under Artigos, Educação
A igreja tem dado bastante valor as questoes teológicas, pastorais, eclesiológicas etc. como espinha dorsal de sustentaçao para a cristandade hodierna, vários sao os livros, confissoes, congressos, simpósios, conferencias etc. que tratam de assuntos que versam a doutrina bíblica nas suas variadas facetas.
Todavia pouco tem sido ventilado a ecoteologia para a comunidade da fé, na camada evangélica como também nas escolas de formaçao teológica. Versamos assuntos que Deus criou o mundo pela sua palavra (Ex. nihilo) e também mencionamos com eloqüencia a sua “Providencia” como doutrina segura pois, “O Deus que cria é o Deus que sustenta”, todavia pouco falamos de ecologia, pois essa palavra por si só nao tem no nível básico, aspecto fisiológico de teologia ou doutrina proveitosa para a igreja pois ela está no patamar da comunidade cientifica, dos pacifistas, dos ambientalistas, etc.
Quando desconhecemos assuntos vitais que estao inseridos na doutrina crista como ecologia isso nao produz na comunidade evangélica uma responsabilidade ecológica, porém quando redescobrimos pela meditaçao e estudo apurado a importância de uma ecoteologia para a igreja, isso nos arranca do ostracismo tradicional e nos arremete a uma visibilidade da nossa responsabilidade crista para com as questoes ecológicas dos nossos dias e seu pélago.
Olhando para o mundo criado por Deus e como versou Hendrikus Berkhof : “ Deus como Criador e o Mundo como Criaçao”, o próprio Deus chama a sua igreja para uma responsabilidade ecológica. O próprio Aurélio Agostinho, teólogo de grande influencia, trabalhou no bojo da sua teologia a ecoteologia (Ecoteologia Agostiniana).
Em 1992, em Brasília os teólogos católicos e seminaristas no artigo 15 reafirmaram com clareza que: “ Somos convocados a desenvolver uma consciencia criatural, onde a criaçao deixa de ser vista como objeto de domínio, pois ela é um dom de Deus que deve ser acolhida com reverencia, respeito e louvor”.
O cientista e biólogo alemao Ernst Haeckel em 1866 cunhou o termo científico “Ecologia” “Oikos-casa”; “Logos- estudo” que no seu nível explicável se resume “ estudo da casa ou do mundo’. Se nos tempos passados a ecologia estava fechada ao estudo científico das relaçoes dos seres vivos com seu habitat, hoje já nao é mais assim, porque várias pessoas militam na chamada defesa do equilíbrio do meio ambiente, que é necessário para a vida.
Quando pensamos em ecologia devemos nao só pensar em ecologia natural mais também em ecologia humana, pastoral, social, pois tudo se relaciona. Os estudiosos dizem que o movimento ecológico é uma reaçao científica e global contra o paradigma de vida industrializado, consumista, racionalista imposto a todo o mundo pela modernidade, vindo do continente europeu, branco, ocidental e cristao.
A cosmovisao crista nesse sentido deve ser integral (holos), pois pensando assim percebemos que a poluiçao do ar, buracos na camada de ozônio produzido por gases da indústria humana, o efeito estufa, aquecimento da atmosfera que provoca degelo nos pólos aumentando as águas dos mares que inundam as cidades marítimas, a poluiçao da terra, a poluiçao das águas, a falta de uma coerencia no campo político, a violencia urbana, o terrorismo internacional as armas nucleares, o crescimento demográfico, a destruiçao dos recursos naturais etc. sao também responsabilidade crista e nao somente dos pacifistas, ambientalista etc. “O ser-humano pode ser homicida e genocida mais pode ser também biocidas, ecocidas e geocidas”. O teólogo Leonardo Boff mesmo afirma que a ecologia mais do que qualquer outra ciencia nos coloca diante da natureza como totalidade orgânica, diferenciada e única. Ela nos facilita entender o conceito teológico da criaçao, mediante o qual Deus e o universo se diferem, e ao mesmo tempo se aproximam.
O teólogo Francis Schaeffer também falou da explosao da populaçao e do problema ecológico, esse assunto proposto aqui nao ficou desapercebido por ele que afirma, que estamos em “dificuldades” . O missiólogo Dr. Timóteo Carriker sublinha que no meio cristao é bastante comum ter uma perspectiva negativa em relaçao ao mundo e o papel do homem no mundo criado por Deus, todavia a tríplice realidade bíblica entre Deus e o homem e a sua criaçao devem ser levada em conta no aspecto da nossa responsabilidade como filhos de Deus que entendemos que o mundo em que vivemos, em seu sentido micro e macro é obra de Deus e nao de um darwinismo excentrico
Como cristaos nao devemos estar aquém da situaçao que destrói o mundo como as derrubadas de florestas, os chamados desmatamento, a matança de animais, a poluiçao dos rios, os produtos químicos e a banalizaçao da vida humana que gera os sem teto, os sem emprego, sem educaçao, sem possibilidade, sem esperança etc. O progresso industrial gerou na humanidade “o melhor dos tempos e o pior dos tempos”.
A justiça que é tao clara na Bíblia passa pelo caminho também ecológico e isso é responsabilidade crista, pois mais do que os cientistas, ambientalistas, pacifistas, simpatizantes do meio ambiente, nós cristaos conhecemos o Deus criador e sustentador e de justiça que antes da formaçao do homem, criou o universo e tudo que nela há, pois do Senhor é a “terra’ e esse mesmo Deus em sua sabedoria e graça fez o homem a sua imagem e semelhança “ imago Dei” e colocou com destaque sobre sua criaçao para ele cuidar dela.
No Congresso Brasileiro de Evangelizaçao em 2003 na cidade de Belo Horizonte (MG) um dos pontos abordados foi a questao ecológica pela ministra Marina Silva que versou seu conhecimento técnico com o arranjo doutrinário cristao, trazendo uma proposta para a comunidade da fé sobre o meio ambiente e seus enfrentamentos políticos, comerciais etc..
Isso tudo nos arremete para uma responsabilidade crista para com as questoes ecológicas dos dias atuais. A igreja crista como disse o Dr. John Stott deve se engajar em todo o serviço para a glória de Deus, ela nao deve celebrar o status quo mais romper com ele numa visao bíblica criacional de serviço.
A igreja Crista nao deve perpetua o laissez faire mais ter uma voz profética no que tange a ecologia num sentido humano e fundamentalmente teológico de contribuiçao no mundo que vivemos.
Pensando assim minimizamos o patrulhamento ideológico que o cristao nao se preocupa com o mundo e nao tem responsabilidade no que tange a ecologia nos dias atuais pois a Bíblia nos convoca através do nosso serviço integral a exaltar o Deus da criaçao sendo participante dessa diaconia ecológica produzindo sem dúvida a Soli Deo Glória.
Adoraçao bíblica nao é somente uma expressao vocal, musical, mais é também testemunhal e passa pelo cuidado do mundo de Deus e da percepçao desse mundo como responsabilidade crista. A tese criacionista nao é somente um desbancar um darwinismo excentrico ventilado nos círculos humanos mais vai além disso. Ela é a formataçao de ver o Mundo de “Deus” com os óculos verdes na perspectiva do altíssimo gerando na comunidade da fé responsabilidade e serviço.
Pastor Carlos Lopes
Teólogo
O Grande Colisor e o desvendar da mente de Deus
agosto 13, 2010 by Jean Gabriel
Filed under Artigos, Educação
Seu princípio operacional baseia-se na famosa equação de Einstein – E=mc2 (E é energia; m, massa; c, velocidade da luz). A quantidade de energia concentrada numa porção de matéria equivale à sua massa multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz. A velocidade da luz é de 300 mil km por segundo.
Se a energia tem massa, 1 kg de carvão, convertido totalmente em energia, produziria 25 bilhões de quilowatt-hora (kwh) de eletricidade. Toda a energia elétrica gerada nos EUA, somada à do Brasil, não chega a 15% disso.
Antes de Einstein, ninguém supôs que energia e massa se igualassem. A constante c, aparentemente inofensiva, representa um número astronômico – o quadrado da velocidade da luz. Se extrairmos energia de uma colherada de água, ela será suficiente para que um transatlântico atravesse o Atlântico mil vezes.
O que se pretende com o acelerador de partículas é captar a energia primitiva que deu início ao Universo há 13,7 bilhões de anos – o Big Bang. Ele é como uma imensa serpente brotando de um pequeno balão de hidrogênio, cujas válvulas, controladas por computadores, liberam jatos de gás, como se fosse uma brincadeira de criança. No entanto, em cada um daqueles jatos há mais prótons do que a soma de todas as estrelas da Via Láctea.
As minúsculas nuvens de gás entram pela cavidade elétrica do gerador que separa os elétrons dos átomos de hidrogênio, como quem arranca o halo de luz de uma estrela, e lançam os prótons, primeiro, por um túnel de grande velocidade; em seguida, por um cano estreito como uma mangueira de jardim, mas com cerca de 5 km de extensão. Dentro desse anel os prótons são acelerados por pulsão provocada por eletroímãs, enquanto ímãs focalizadores os reúnem num feixe tão fino quanto a grafite de um lápis.
Ao atingir uma velocidade próxima à da luz, a massa inicial aumenta cerca de 300 vezes, graças à própria velocidade. Neste momento, são desviados do anel e lançados contra um alvo dentro de um detector. Seus rastros, captados pelo campo magnético do detector, revelam a identidade da partícula.
Os aceleradores seriam como estrelas mecânicas; sua temperatura, elevada a milhões de graus, pode fazer com que as partículas se movam tão rapidamente como no coração das estrelas. No anel do acelerador, prótons e antiprótons percorrem trajetórias opostas em velocidades próximas à da luz, colidindo um milhão de vezes por segundo – e, assim, fragmentando os átomos em suas partículas mais genuínas, entre as quais o quark top, o último dos seis tijolos fundamentais da matéria a ter sua existência comprovada, em 1995.
Quanto mais aperfeiçoado o acelerador de partículas, mais serão descobertas novas partículas. Assim, os cientistas se perguntam se algum dia essa “arqueologia” da matéria findará – ao se depararem com aquela partícula que seria, afinal, a mais elementar, base de todas as demais.
O acelerador nos aproxima do parto gerador do Universo. Para as nossas dimensões de tempo, alcançar o que sucedeu 1 centésimo de segundo após a Criação é fantástico. Que importa saber o que ocorreu 1 decimilibilionésimo de segundo antes que você decidisse piscar o olho, como fez agora? No entanto, quando se trata da evolução da matéria, cada fragmento de segundo é como um século para a história humana.
Sabe-se, hoje, o que teria ocorrido nos três primeiros minutos após a explosão do Ovo Primordial que continha todo o Universo, o Big Bang. Mas isto não basta, muitas outras coisas se passaram na fornalha original antes daquela fração de segundo.
O que a ciência procura é se aproximar do momento em que o átomo inicial não se conteve e, pleno, abriu-se como um botão de rosa que exibe pétalas em todas as direções. Assim, ficaremos sabendo um pouco mais a respeito das raízes de nossa universal e holística árvore genealógica.
O que fazia Deus antes de criar o Universo? A resposta foi dada por Santo Agostinho, no século IV: “Preparava o inferno para quem faz esse tipo de pergunta”.
Quem aprecia culinária e gosta de pilotar um fogão saiba que os ingredientes da receita para fazer o Universo são simples: 76,5% de hidrogênio; 21,5% de hélio e 2% de outros elementos químicos.
De preferência, o cozinheiro deve ter mãos divinas.
Frei Betto, autor de 51 livros, editados no Brasil e no exterior. Estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. Frade dominicano
Considerações sobre a merda!
agosto 13, 2010 by Jean Gabriel
Filed under Artigos, Educação
Merda.
Isto seria o suficiente para espantar a primeira leva de leitores. Parariam
por aqui mesmo na primeira linha. Um texto que começa com merda não pode dar
em boa coisa…
Mas propositadamente resolvi abordar o assunto da merda, ou talvez, a merda
do assunto. Isto seria suficiente para espantar uma segunda leva de leitores
: os que são impedidos de pensar em merda, e em qualquer outro assunto,
apenas por causa da religiosidade pudica e malcheirosa de nossos dias.
Mas se você foi capaz de resistir a dois parágrafos, de merda, acredito que
juntos podemos refletir um pouco sobre um dos mais incompreendidos mistérios
de nossa breve humanidade : nossa própria merda…
Com toda certeza a merda é o mais antigo indicador “psico-social” da
história humana…Se o cidadão é um canalha, é mais ruim que merda debaixo
da unha; Se não é bom, é um merda; se deu errado, deu merda; se foi a
bancarrota, foi a merda; se é pra ir as últimas consequências, que vá a
merda; se é um derrotado, é um merdinha; se alguém estragou tudo, jogaram
merda no ventilador, e pasmem, se contra as expectativas o azarão deu sorte,
é um cagão! Vejam só : para os artista, desejar merda ao companheiro pode
até ser uma expressão de boa sorte antes de entrar no palco…
A merda está em todo lugar, e não é raro fazer mais diferença que muitos
cristãos. Nem sempre é possivel saber quando existe um crente no lugar, mas
com certeza é possivel saber, de longe até, quando há merda no recinto. Sua
presença é denunciada em qualquer situação. Se você sentiu o fedor, é bem
capaz de ter pisado nela, e se não pisou ,ainda, alguém por perto atolou o
pé. E o fedor é desagradável o suficiente para fazer perceber que naquele
local existe algo que não deveria estar ali.
Tem gente que tem nojo de merda. Da própria, e principalmente da dos
outros.. tem ânsia de vômito quando vai ao banheiro. Evita tocar até no
assunto. Já tem gente que vive de analizar a merda alheia, pra, quem sabe,
salvar o seu dono de uma merda pior. Que profissão heróica… e não
creditada. Sim, porque no fim das contas você agradece, quando muito, ao seu
médico que apenas olhou o laudo, e que recebeu uma boa grana pra isto.
Ouvi alguém dizer algo semelhante a isto uma vez e acho que tem realmente um
certo fundo de verdade: Agências Missionárias como a JOCUM tinham que ter um
ministério de “Detecção de Merda”. Uma voz profética inconfundível que
denunciasse a sujeira instantâneamente. Alguém que se levantasse quando o
discipulador da Eted quiser aplicar uma “disciplina de silêncio”(1) nos
alunos, pra dizer, “irmão, esta disciplina não vai adiantar merda nenhuma
!”, ou pra dizer ao líder da base, quando ele quiser perdir dinheiro
emprestado pra comprar um terreno pra Missão : “meu irmão, isto é quebra de
princípio, vai dar merda…”
Deus foi muito gentil em permitir que ao nosso olfato, pecado não cheire
como merda, do contrário este mundo seria inabitável. Talvez este seja
exatamente o nosso problema: não ter nojo do nosso pecado, como temos nojo
de nossa merda. Se tratassemos pecado como pecado, como tratamos merda como
merda, aprenderiamos como Deus se sente com o nosso pecado. Especialmente
porque a merda é o resultado do processo da vida… O alimento é ingerido,
nutre, é processado e expelido. É natural, e involuntário… como ja disse a
Rita Lee(2) “tudo vira bosta”. Já o pecado não é resultado nenhum processo
natural ou involuntário. É escolha, decisão voluntária podre e suja.
Deus sempre ensinou a separar uma coisa da outra. Em Levítico 23:13,
ensinando a importância da higiêne no arraial, Ele ensina o povo a levar
consigo uma pá para cobrir os excrementos, evitando assim a proliferação de
doenças no meio do povo. Já sobre o pecado, outra ocasião Deus chama o
profeta Ezequiel e diz : “Tú comerás como bolos de cevada, e a vista deles a
assarás sobre o excremento humano (Ez. 4.12). O profeta reclama que nunca
sequer tocou em coisa imunda, que dirá degustá-la. O Senhor então ordena ao
profeta que ao invés de fezes humanas, use esterco bovino. Isto numa maneira
de, entre outras coisas, simbolizar o estado de depravação da nação. O culto
continuava dia após dia, embora o coração do povo estivesse corrompido. E os
sacrifícios chegavam ao Senhor como oferta fétida, suja e enojante.
Embora nos ame com amor eterno, nosso pecado lhe causa asco, repulsa. E
mesmo assim, quando ainda completamente envolvidos no asco, no pecado, ele
nos ama, e sacrificialmente escolhe enviar Jesus, o filho para no limpar do
estigma da podridão. Somente alguém que ama pode entender este mistério. Ví
um pai recentemente levar sua filhinha no colo. Ela estava completamente
suja, e a fralda cheia de cocô, que escorria pelas suas perninhas miúdas.
Ele gentilmente procura a torneira mais próxima, tira as roupinhas sujas da
criança e com muito cuidado coloca-a, ainda em seus braços, debaixo da água
corrente. Com as suas mãos ele limpa cuidadosamente a sujeira. O amor do pai
pela criança fazia aquele homem ignorar o asco. Ela era mais importante que
o seu estado, porém ele jamais permitiria que ela continuasse como estava.
Foi assim que Deus fez. Em seus braços o sangue de Jesus nos lava do asco e
podridão. O seu amor foi maior que o nojo do nosso estado de depravação.
No dia em que aprendermos a tratar o pecado como sujeira podre, aceitaremos
trocar os trapos de imundícia de nossa justiça por vestes limpas, brancas
sem mácula ou ruga, vestes que só Jesus pode dar. Neste dia sim, seremos
igreja e noiva, espalhando o bom perfume de Cristo.
Que Ele nos ajude.
(1) Bizarra punição sem qualquer contextualização Bíblica, aplicada em
alguns guetos de treinamento, onde o aluno é submetido a um período de tempo
em que , parcial ou completamente, não pode falar com ninguém.
(2) Tudo Vira Bosta, Lee, Rita.
Adriano Estevam, Janeiro de 2005
O contrato social para o desencargo de consciência
agosto 10, 2010 by Jean Gabriel
Filed under Artigos, Economia, Governo
Olhar para Jesus, seus discípulos e os heróis da fé e para a vida radical que viveram , acaba gerando em nós um desconforto e um pensamento: como é que estamos vivendo as nossas vidas? Vivemos mesmo esta missão ou já terceirizamos?
O pior é que, com a potencialização do capitalismo e o espírito de revolução industrial onde todos têm um papel específico no processo, aprendemos afazer apenas o nosso trabalho para os outros e pagamos os outros para fazer o nosso trabalho. Deixe-me explicar.
Teoricamente, a bagunça da minha casa, pagar minhas contas no banco, cuidar da minha segurança, ir buscar água para beber no fim do dia e outras coisas, são responsabilidades, tão somente, minhas.
Mas com o desenvolvimento das cidades veio o pensamento de que eu tenho que me preocupar apenas com o que eu decidi ser a minha função, o meu trabalho, mesmo que não tenha nada a ver comigo e, que devo pagar para os outros fazerem o resto para me deixar bem.
Por isso pagamos alguem para limpar as nossas casas, taxas em bancos para pagar a nossas contas, condomínios para nossa segurança, a companhia de água para termos água em casa, e muitos outros serviços. No fim do mês vemos que o que recebemos em dinheiro do nosso trabalho, que fazemos para os outros, bate com o dinheiro que pagamos para os outros fazerem o nosso trabalho. E nessa loucura moderna vamos vivendo.
Não estou dizendo que isso está errado, eu já cresci neste círculo doido, que acredito ser possível frear, mas impossível reverter. E nem sei se de outro jeito seria melhor.
Vivemos pagando para os outros fazerem o que é nossa responsabilidade e com isso não nos pesa a consciência de não fazê-las, pois afinal de contas pagamos, e pagamos caro.
Esse tipo de pensamento faz parte da religião desde os primórdios, mas nos últimos tempos tem sido potencializado através de uma espécie de contrato social para o desencargo de consciência.
Já que eu não evangelizo mais, levamos as pessoas para a igreja para serem evangelizadas pelo pastor, afinal de contas eu dou o dízimo. Já que eu não ajudo o próximo, contribuo com o ministério de ação social, já que eu não vou sair do meu comodismo para fazer missões, “pago” para todo missionário que vem aqui na igreja para eles irem.
É lógico que isso não é uma regra com todos que contribuem, mas é algo a ser pensado, pois é esse o espírito capitalista!
Ninguém fala nisso nas igrejas, pois os dois lados, teoricamente, estão satisfeitos, os que pagam e são aliviados a consciência e os que recebem para viver fazendo as suas tarefas e as dos outros. Mas isso não quer dizer que está correto. E assim vamos vivendo um contrato social para o desencargo de consciência. Mas se fosse diferente, como seria?
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