Quando Deus diz: “Dá licença?”

abril 20, 2010 by raquelsilva  
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Eu creio em milagres!

O que é um milagre senão uma intervenção divina na história humana?

Por isso creio mais ainda. Creio que somos de vez em quando surpreendidos por milagres sem que sequer os percebamos. Nosso dia-a-dia está repleto do cuidado de Deus. Deus está no controle da história e essa é uma das minhas maiores certezas: o universo não é um trem desgovernado… ele caminha sobre os trilhos da soberania divina. Há um Deus amoroso que rege e se relaciona com o mundo que criou. Há um Pai que cuida de seus filhos e, com certeza, quer o melhor para os seus.

Foi o próprio Deus encarnado, Jesus, quem disse isso: “Se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mateus 7.11)

O problema está exatamente no fato de que a teoria é muito fácil de ser dita, pregada, ensinada, mas longe de ser vivenciada por nós, que tanto gostamos de exaltar ao “Deus soberano”. Nossas palavras e canções acerca da sabedoria e soberania de Deus não condizem, muitas vezes, com a nossa vontade de dominar a nossa própria vida.

Temos uma tendência natural a nos afastarmos de Deus, a declararmos independência de Sua vontade e a trilharmos nossos próprios rumos. Foi assim no Éden, é assim até hoje. E a conseqüência, milênios depois, continua a mesma: morte!

Não só a morte física, mas a morte de sonhos, projetos, vontades. É incrível o quanto deixamos de desfrutar das bênçãos de Deus (paz, alegria, gozo, etc) por estabelecermos a nossa vontade superior à vontade de Deus. Fazemos os nossos planos e nem consultamos a Deus. Alguns ainda, por desencargo de consciência “fazem uma oração” depois de já terem decidido (sem oração) o que fazer. Somos hipócritas… na verdade já tínhamos tomado a decisão e apenas queremos um “carimbo” de Deus nos nossos planos humanos.

Há tempos li um livro que ainda é um best-seller evangélico, “Há Poder em Suas Palavras”, um dos piores e mais venenosos livros que já li e que se intitulam evangélicos. O livro passa longe, muito longe, do que a Bíblia realmente ensina sobre a soberania de Deus. Em certa altura do livro, lembro de ter lido algo que poderíamos chamar de a “teologia do cheque em branco”. Como se Deus nos desse uma folha de cheque assinada em branco e nós colocássemos ali tudo o que quiséssemos e Deus se sentisse obrigado a responder.

O que a Bíblia ensina sobre soberania de Deus e senhorio de Cristo é exatamente o contrário. Somos nós quem “assinamos o cheque em branco” e o entregamos nas mãos de Deus dizendo com isso: “toma, Senhor, a minha vida”. É o que o salmista diz em um dos versos mais conhecidos do saltério: “Entrega o teu caminho AO SENHOR, confia NELE, e o mais ELE FARÁ.” É Ele quem FAZ a obra.

Creio firmemente que em certos momentos Deus intervém e diz: “Dá licença? Daqui em diante EU cuido disso!” E Ele faz isso porque muitas vezes nós somos reticentes em entregar-lhe totalmente o comando de nossas vidas. No fundo (por mais que nossas palavras e nossos cânticos digam outra coisa) achamos que NÓS sabemos melhor do que Deus o que realmente precisamos. Atropelamos a vontade de Deus. O resultado é sempre o mesmo: tragédia!

“O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem do Senhor.” (Provérbios 16.1) A Palavra é clara. Como diria um comentarista de arbitragem do futebol brasileiro: “A regra é clara”. E é tão clara que nós não conseguimos entender. Gostamos de complicar as coisas simples. Evangelho é coisa simples: é Cristo sendo Senhor de nossas vidas. É Deus intervindo na história, na nossa história, fazendo de nossa vida um milagre diário. Deus quer dar o melhor a seus filhos, basta que abramos nossos corações e nossa vontade ao seu Senhorio, ao seu comando, à sua soberania.

Deus está no controle! Ele é realmente soberano! Ele, mais do que ninguém, quer intervir em nossas vidas e assumir o trono de nossos corações. Confiemos, pois “ desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de Ti, que trabalha para aquele que nele espera.” (Isaías 64.4)

Nele, que se fez carne e, por sua intervenção, dividiu a história humana em Antes e Depois dEle,

José Barbosa Junior

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O Brasil é um país que provoca

abril 20, 2010 by raquelsilva  
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“Cheguei a meio da vida já cansada

De tanto caminhar! Já me perdi!

Dum estranho país que nunca vi

Sou neste mundo imenso a exilada”. (Florbela Espanca)

O Brasil é um país que provoca sentimentos contraditórios. Existem motivos de honra em ser brasileiro, entretanto, os motivos de desonra prevalecem na balança. Há muitas pessoas que não se aquiescem diante do caótico Estado brasileiro. Sei que a maioria não possui a dimensão crítica para refutar os contrastes do nosso país, e caso a possua, não faz uso dela.

Nem cheguei a meio da vida e já me sinto cansado. Nem caminhei muito e já me sinto perdido. Do que eu sei é como se nada soubesse. Viver aqui é absolutamente estranho. Possuo sentimentos contrários. Atrai-me o país da diversidade, da natureza exuberante, do calor humano, do espírito alegre. Todavia, rejeito o país da impunidade, da propina, da desigualdade social, da educação sucateada. Canso-me por saber que nada vai mudar porque muitos são os que alimentam este sistema. A conivência por si só é um forte combustível para manutenção deste status quo.

Mas a mudança é possível. E deve começar pela educação. Pessoas educadas mudam qualquer estado deplorável da realidade. A questão é que há muita gente informada por aí, mas muito pouco educada. Gente que forma, se informa, mas não transforma. Diploma não educa ninguém. O Brasil precisa de pessoas civilizadas nas ruas, nas estradas, no comércio, no congresso, nos hospitais, nas igrejas, nas escolas. Nunca o número de faculdades foi tão alto neste país, contudo, a educação nunca foi tão infame. A educação que civiliza as pessoas está em falta no Brasil. Não adianta termos inúmeras instituições de nível superior formando milhares de pessoas todo ano, se o nível de civilização das pessoas formadas continua inferior ao necessário para manter uma sociedade ética, coesa e bem estruturada.

Caso o leitor se interesse, procure pelos dados de violência, de corrupção, saúde e educação. Segundo dados do IBGE, o Brasil possui um contingente de analfabetos da ordem de 14,1 milhões (somente de pessoas com 15 anos ou mais de idade), o que corresponde a uma taxa de 10% da população. Temos motivos de sobra para a inquietação. Não podemos acreditar nos programas assistencialistas. Não podemos acreditar nas propagandas enganosas. Não podemos acreditar no utópico Programa de Aceleração do Crescimento, sendo que a maioria das obras prometidas está paralisada.

Faço um apelo aos jovens: não nos acomodemos, pelo contrário, fiquemos incomodados. Não nos ocupemos apenas com os prazeres da vida, mas sejamos responsáveis também com a vida. Precisamos do equilíbrio entre prazer e responsabilidade. Associemo-nos a grupos que combatem os males deste país. Na nossa cidade, no nosso bairro, na nossa igreja, sempre em algum lugar existe uma forma de denunciar, uma maneira de ser e fazer diferente. Lembremo-nos: apenas os seres pensantes são provocados!

Ivan Cordeiro tem 26 anos, é administrador e teólogo, mora em Vitória da Conquista, BA. É responsável pelos sites: www.bomlider.com.brwww.ivancordeiro.blogspot.com

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Quem não é achado pela graça… acaba caçando Deus!

abril 19, 2010 by raquelsilva  
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… E então vinha o homem, ao entardecer, na viração do dia, remexendo entre arbustos e galhos de árvores maiores, quando de repente sua presa deu-se por vencida. “- Te peguei, Deus! … que coisa feia… fugindo de mim?”

Sei que todos nós sabemos que não foi assim, mas é a cena que vem a minha mente quando ouço falar no termo “caçador” de Deus. Um Deus acuado, sem ter pra onde correr senão para os braços daquele que lhe “acolherá”. Papéis invertidos? Lógico! Palavra deturpada? Sem dúvida alguma…

O homem sempre esteve em busca de Deus, sempre “caçou” Deus… e todas as tentativas dessa perseguição do elemento divino terminaram inexoravelmente em RELIGIÃO. A religião é isso: o homem em busca de Deus, uma busca desesperada, pelos seus próprios esforços, sacrifícios, na tentativa de prender esse mesmo Deus ao seu sistema de ritos, doutrinas e convenções humanas.

A religião é, portanto, inerente ao ser humano. O vazio existencial, o buraco negro da alma em busca de algo que o possa preencher, tudo isso clama pela religiosidade. E ela então chega, como se fosse a salvação para o homem. O homem então se entrega na sua busca de Deus, fazendo dele a caça, o alvo a ser alcançado, atingido… para depois de preso, estar sujeito aos seus caprichos e deleites.

Ordens dadas a Deus, decretos em que Deus nada mais é do que um serviçal, orações que comandam o braço de Deus, palavras mágicas que “liberam” o poder de Deus, isso tudo fica bem na boca dos bruxos e magos da religião, tenham eles os títulos de bruxos, mestres, pastores, bispos ou apóstolos. Bruxaria sempre será bruxaria venha de onde vier, principalmente dos mandatários da religião.

A bruxaria evangélica não é diferente. Parte da presunção de alguns em, com palavras mágicas (abracadabras evangélicos) manipularem o braço de Deus. Deus então, segundo essa “tiologia”, se vê obrigado a fazer o que os seus “profetas” ordenam.

Deus está preso!

Deus está enclausurado!

Deus foi caçado!

Deus está morto!

Nietzsche parece ter razão. Deus está morto! Nós o matamos!

Porém, há algo novo, sempre novo. Chama-se Evangelho. E evangelho é algo totalmente diferente de religião. Religião escraviza, evangelho é boa-nova de libertação… é boa!! E é nova!!! Sempre nova… sempre renovando!

O evangelho acontece ao contrário, na contra-mão da religião. Na viração da tarde, na ausência de cor para a continuação do dia é Deus quem toma a iniciativa. “Adão… onde estás?”. Isso é evangelho, isso é graça!!

O homem pecou… Adão pecou… eu pequei em Adão… mas Deus…. Mas Deus… mas… e esse “mas” faz toda a diferença. Esse “mas” é a diferença entre a religião e o evangelho da graça. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, MAS DEUS… e isso muda a história.

A iniciativa da caça é dele! E não é uma caça para exterminar o objeto caçado. Somos alvo do AMOR de Deus. Essa caça é que nos traz vida! Somos caçados para a vida, e não para a morte. A salvação foi, é, e sempre será iniciativa de Deus. A cruz ressoa desde a eternidade… sobre a manjedoura de Belém já pairava a sombra de uma cruz, a cruz preparada desde a eternidade e sobre ela o cordeiro imolado por nós desde a fundação do mundo.

Isso é graça! Eu não mereço… eu não busco, eu não caço Deus. Ele me ama… me busca… me encontra…. me abre os braços… eu só descanso nEle… e a obra é ELE quem faz e continua fazendo até o dia dEle mesmo.

Fui seduzido… deixei-me seduzir!

Fui preso na sua graça!

Fui enclausurado em sua liberdade, não tenho como deixar de ser livre!

Fui caçado na viração do dia… não sei o que é a noite sem Ele.

Morri!

Ele vive em mim!

Deus está vivo!

A Bíblia tem sempre razão! O meu redentor vive… e por fim se levantará sobre a Terra.

Pra que religião se tenho o evangelho da graça?

Com carinho e amor,

Nele, a graça feita gente.

José Barbosa Junior

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A geração turbinada

março 29, 2010 by raquelsilva  
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Vivemos na época das especializações. O legado da pós-modernidade nos traz de presente, em todo o seu conteúdo, a personalização, ou melhor ainda, a especialização. Não adianta ser simples, tem que haver a especialidade. Sinais dos tempos, diriam uns. Modernidade, diriam outros. Seja o que for, uma coisa é certa: é realidade!

Ninguém mais procura, por exemplo, um clínico geral. O certo é procurar um especialista em dedo “mindinho” do pé esquerdo, porque se você não tomar cuidado acaba indo num especialista em “dedão” do pé direito. Essa especialização, se formos mais fundo, desembocará, inexoravelmente na individualização. E a individualização leva à arrogância e ao isolamento, assim entramos na roda viva da pós-modernidade. Cada um faz o que quer… compra o que quer… e há mercadorias para todos os gostos. Se alguém pensar hoje em comprar um chocolate verde com sabor de anis numa embalagem amarela, se procurar, encontra. Se não encontrar, entre em contato com o SAC da empresa, isso se você tiver sac. A empresa, pra ganhar um cliente fará o seu chocolate personalizado. Bom isso? Bom! Quando se trata de empresa, sim! Mas quando se trata de igreja…

Vivemos também a época dos acessórios, que são reflexo da individualidade. Quer um carro básico (do geral), ou vai um acessoriozinho? (do indivíduo). Você quer um modelo de fábrica, que todo mundo pode ter, ou paga-se mais um pouco e tem-se um carro com limpador de para-brisas com dupla borracha e sistema integrado de percepção pluviométrica ??

Como diria o meu amigo e jornalista Fábio Nazareth (a quem devo a idéia do texto), é como comprar na carrocinha de cachorro-quente do Zé. “- É só o pão com ‘salchicha’?(modelo básico), ou a madame quer ‘compreto’? (com os acessórios)” Por acessórios entenda-se milho, ervilha, maionese e tantas outras coisas que podem “enriquecer” o sanduíche.

Uma grande empresa de Fast-Food brasileira (é brasileira, mas é fast e é food) para tentar ganhar o mercado contra a principal rival, que é estrangeira, anuncia que “aqui você monta o sanduíche!” No fim das contas o que importa é oferecer o “algo mais”, ou, na linguagem empresarial, o diferencial da sua empresa. Bom para empresas… ruim para as igrejas…

Até mulher hoje já não reclama tanto de suas “infelicidades” corporais. Seios pequenos?? Turbina neles!! Bum-bum “murcho”, a gente ajeita! E saem todas felizes… Sentindo-se Danielles Winnittz e Sheilas Mellos, prontas para serem alvos das mais variadas cantadas, que elas mesmas rejeitam, mas gostam de ouvir. Hoje já não sabemos quais são as originais… Não questiono aqui se mulher deve ou não colocar próteses siliconadas, isso é coisa delas, ninguém se condene naquilo que aprova… Bom para as mulheres? Talvez! Exemplo para as igrejas? Nem tanto…

Vivemos na geração turbinada!

Ser básico não vale. Tem que ser “fashion”. Tem que ter algo mais… o diferencial!

E assim começa (ou continua) o nosso FEBEAIG (FEstival de BEsteiras que Assola as IGrejas), a versão “gospel” do FEBEAPA da época da ditadura, já que tudo (de bom e de ruim) agora tem que ter uma versão “gospelizada”.

Já não se procura mais um louvor simples. Tem que ser louvor “profético”. Mesmo que o louvor seja dirigido a Deus e que para Deus não se profetize, pois é por Ele e nEle que se encerra toda a profecia, assim vamos nós… o importante é turbinar…

Já não quero ser um adorador comum, tenho que ser um adorador “levita”, mesmo que essa “casta” já não exista mais. Mesmo que os levitas deixem de existir quando o templo deixa de ser o prédio para ser o corpo e que o sacerdote deixe de ser o líder e todos experimentemos da benção de sermos, nós mesmos, sacerdócio real.

Já não procuro uma igreja simples, mas uma igreja com “propósitos”. Ora, igreja sem propósitos não é igreja!! Se não tem propósitos o que estou fazendo lá ? Estou de propósito numa igreja sem propósito?? Qual o propósito disso??

A guerra pelo merchandising de igrejas é algo tétrico. As igrejas se vendem como marcas de cervejas. Uma desce redonda, a outra é a que todo mundo merece, outra é a número um, e por aí vai…

As igrejas agora acoplam títulos ao seu nome.

Igreja Tal – A que vive da fé! É lógico que vive da fé. Se não vivesse não servia para ser igreja.

Igreja X – A igreja da comunhão! Se não há comunhão, há igreja ???

Igreja Y – A Igreja com cara de Leão… Igreja tem que Ter cara é de cordeiro, pois somos entregues á morte todos os dias, como ovelhas para o matadouro… pelo menos é o que a Palavra diz…

Igreja Fulana – Uma igreja da Palavra. Igreja que preza pela palavra não precisa anunciar isso no letreiro, o povo verá. Será uma igreja honrada, cairá na simpatia do povo, ou na perseguição total pela fidelidade que incomoda. Mas não precisa de letreiro luminoso, precisa de gente que brilhe por viver o evangelho. Isso funciona mais que qualquer propaganda.

Igreja A – Uma Igreja que tem Asas de Águia! Igreja não foi chamada pra ter asas de águia, mas pernas de homem. Bem aventurados os PÉS dos que anunciam a paz!! A Palavra diz que é aquele que sai ANDANDO e chorando e plantando a semente… não o que sai voando… A Igreja é chamada de seguidora do Caminho… e é nesse caminho que devemos andar…

Hoje não há mais simples adoração. Há a “adoração de guerra”, tornando-nos mais belicosos do que já somos… e lutando pela paz.

Não queremos mais o pastor de ovelhas, mas o Apóstolo das nações.

Não serve a adoração em espírito e em verdade, só a “adoração extravagante”. Que de extravagante passa a ser extra vazante, vazando por todos os lados as maiores esquisitices em nome do Deus a quem se deve adorar, não com extravagância, mas com coração contrito e sincero.

O logos de Deus não faz mais tanto sucesso quanto o rhema da confissão positiva: é a Palavra Turbinada! Só a Palavra não serve… tem que ter a “revelação”.

Mas… ainda creio que podemos voltar ao cristianismo puro e simples… há mais de 7.000 que não dobraram o joelho ao Baal turbinado.

Só não quero ver daqui há alguns anos, um comercial onde apareça uma caquética tartaruguinha dizendo: “- Já fiz muito comercial de igreja… mas naquele tempo eles só queriam mesmo era saber de números, de leões, de ursos, águias e outros bichos mais…. mas encheu o saco!”

E tá enchendo mesmo!

Um abraço,

José Barbosa Junior – sem acréscimos

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Os últimos serão os primeiros.

março 21, 2010 by raquelsilva  
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Era o período da colheita para uma agroindústria que produzia vinho. O proprietário saiu à rua cedinho, nas primeiras horas da manhã, para contratar trabalhadores para colher uvas na sua vinha. Após ter combinado com os trabalhadores 40 reais por dia mandou-os para a vinha. Lá pelas nove da manhã ao andar pela praça viu outros trabalhadores que estavam ociosos à espera de serviço. Então enviou também estes para a sua vinha e acordou com eles que lhes pagaria o que fosse justo. Saindo depois ao meio-dia encontrou outros trabalhadores na mesma condição, então disse a estes o mesmo que aos anteriores: vão para a minha vinha e eu lhes pagarei o que for justo. Às três da tarde aconteceu a mesma coisa, outros trabalhadores estavam na praça à espera de trabalho e ele também os contratou prometendo-lhes o que fosse justo. No fim da tarde, às dezessete horas, próximo do término do expediente, o proprietário surpreendeu-se ao encontrar trabalhadores desempregados na praça. Então perguntou-lhes: por que vocês passaram o dia todo aí sem trabalhar? – Porque ninguém nos contratou – responderam. Acabam de ser contratados, disse o proprietário. Vamos andem, vão colher uvas na minha vinha.

No final do dia, às dezoito horas, o proprietário chamou o gerente e mandou que pagasse aos trabalhadores a começar pelos últimos. Então o gerente, a mando do proprietário, pagou aos trabalhadores da turma das cinco da tarde o mesmo que combinara com os diaristas da primeira turma, 40 reais. Quando as outras turmas vieram receber o pagamento estavam certos de que receberiam muito mais, pois os últimos trabalharam apenas uma hora e receberam quarenta, então, a turma das três horas provavelmente receberia 120 reais, a do meio-dia 240 reais e a primeira turma a fantástica quantia de 480 reais, ou seja, valores proporcionais a quantidade de horas trabalhadas.

Entretanto, todos eles receberam também 40 reais, a quantia combinada para o serviço de um dia. Então ficaram indignados e queixaram-se com o proprietário, alegando que trabalharam muito mais que os últimos e receberam a mesma coisa. Em resposta o proprietário lhes disse: não combinei com vocês quarenta reais? Por que reclamas se eu estou agindo com justiça e bondade. Eu quero dar a estes que trabalharam apenas uma hora o mesmo que dei a vocês que trabalharam o dia todo, pois na verdade, eles sofreram muito mais do que vocês. Eles passaram o dia inteiro com a angústia e a aflição de que voltariam para suas casas sem o necessário para a sobrevivência de suas famílias, ao passo que vós desde as primeiras horas da manhã já haviam sido tranqüilizados por estarem contratados. Todos merecem receber o necessário para a sua sobrevivência, pagando o mesmo a todos agi com verdadeira justiça.

A história que acabamos de ouvir foi contada a muitos e muitos anos para uma comunidade de judeus convertidos ao cristianismo. O evangelista Mateus escreveu esta narrativa para tentar explicar para aqueles cristãos o que era o Reino de Deus e qual era a lógica deste Reino. O evangelista ensinou que no Reino dos céus, os primeiros seriam os últimos e os últimos seriam os primeiros. Coisa que pareceu estranha para os seus ouvintes de formação judaica que se consideravam privilegiados diante de Deus, pois faziam parte da nação escolhida.

Talvez o grande entrave para a nossa caminhada cristã seja exatamente o fato de não termos entendido ainda qual a lógica do Reino de Deus. Não entendemos ainda como pode ser isto: os últimos serem os primeiros e os primeiros serem os últimos. O Reino de Deus, ao contrário do nosso mundo, é um Reino de igualdade, de partilha, de cooperação mútua, de convivência harmônica, inclusiva e plural. O Reino de Deus é antes de qualquer coisa um Reino de graça! Nele não há hierarquias, nem prêmios para os que demonstraram maior produtividade. A grande dádiva do Reino é a vida abundante que ele nos proporciona; é a sua libertação graciosa estendida a todos os que dela necessitam.

Viver a lógica do Reino de Deus é retribuir a todos graciosamente; é lutar para que todos tenham o necessário para uma vida digna e não simplesmente se acomodar cinicamente dizendo que se eles não tem porque não quiseram trabalhar. A lógica deste mundo exclui a todos que considera inaptos, explora as pessoas, tira-lhes a sua dignidade, transforma-os em carvão para a máquina produtiva. Não se enganem, o desemprego, a pobreza, a violência e tantos outros males existentes em nosso mundo não são pequenos defeitos do sistema capitalista, ao contrário, são necessários para a sua manutenção. É a exploração de muitos que fomenta a riqueza de uns poucos.

Proclamar a boa nova do Reino de Deus requer uma negação profunda da lógica do mundo atual e a assunção de uma postura de novidade diante dele. É preciso percorrer o caminho para a construção de um novo ser humano e um novo mundo, onde os últimos são os primeiros e os primeiros são últimos, onde ser grande é ser servo, onde a justiça e a bondade caminham juntas, guiadas pela graça e pela misericórdia.

Messias Brito

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Compromisso cristão

março 9, 2010 by raquelsilva  
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Cresci ouvindo minha mãe falar sobre a história do nosso país. Ouvia dela, coisas que os meus professores deveriam falar em sala de aula e não falavam. Ouvi falar da ditadura militar brasileira, responsável pelo desaparecimento de muitos políticos, estudantes, padres e outros. Nas nossas conversas, ela sempre me ensinava sobre política, comecei então a aflorar a minha percepção crítica em relação à política no Brasil.

Mas política é um assunto que não agrada muita gente, principalmente muitos cristãos. Como sou cristã desde os 8 anos de idade, conheço um pouco sobre o que se passa nas igrejas e o que passa na cabeça de muitos crentes em relação a este assunto. Muitos batem no peito e dizem não gostar de política e não querer se envolver de forma alguma, não sabendo eles que já estão envolvidos. Pegam todos os políticos e “jogam num saco só”. Não sabem diferenciar politicagem de política. O poema de Bertold Brecht tem uma resposta pra este tipo de pessoas. Ele o chama de analfabeto político. Veja:

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Poderia aqui encerrar este meu texto, mas acredito que uma reflexão sobre o papel do cristão na política é sempre bem vinda. Hoje, infelizmente a maioria das igrejas evangélicas é fortalecedora do sistema capitalista, que tanto gera mazelas no nosso país. Parece que nós cristãos protestantes do Brasil, não entendemos de fato o que se significa ser protestante. Hoje não protestamos nada! Esquecemos do nosso papel na sociedade. Por aprendermos que somos “cidadãos dos céus” passamos então a não mais pensar no mundo em que vivemos. Não pensamos e nem agimos para mudar a realidade que nos cerca. Achamos que não precisamos lutar, pois se vamos pro céu mesmo, não há mais nada a fazer. E assim, vamos sofrendo, aceitando as mazelas e se conformando com toda injustiça. Assim, tudo vai se tornando muito normal. E por falar em conformidade me recordei do filme “Olga”. Uma cena muito me chamou a atenção. Certo dia Olga chega em casa toda suja e com marcas de pancadas que levou dos policiais depois de participar de um protesto nas ruas de sua cidade. Seu pai ao ver isso, faz uma pergunta a ela: – Filha é isto que você quer pra sua vida? E ela responde: – Pai, eu não sei o que eu quero pra minha vida, eu sei o que eu não quero.

Um dia, ao ler a parábola do jovem rico, descobri algo que me deixou mais apaixonada por Cristo. Descobri que Jesus era contra a má distribuição de renda. Ele manda o jovem DIVIDIR tudo o que tem com os pobres. Ele é contra toda desigualdade social.

Depois que conheci a genuína proposta de Cristo, eu sei o que eu não quero pra minha vida. No dia em que eu não estiver pensando assim, algo está errado em mim.

 

 

Glauce Souza Santos

Cristã/Igreja Batista Hosana

Estudante de Letras Vernáculas – Coordenadora do Centro Acadêmico de Letras

da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB, campus Jequié.

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Cultos ao vivo todas as quartas!

março 3, 2010 by raquelsilva  
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Voltaremos a transmitir os nossos cultos ao vivo todas as quartas, a partir das 20h.

Não perca a oportunidade de conferir as palavras missionárias, o louvor, a nossa seção youtube, e muito mais!

Você também pode participar dos cultos dando suas opiniões, críticas, sugestões, fazendo parte dele  sem sair de casa.

Aguardamos vocês.

Até quarta!

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Por um Evangelho mais humano

março 3, 2010 by raquelsilva  
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Uma coisa que tem me incomodado muito, recentemente (e que, pra ser sincero, me incomoda já há muito tempo, embora não com a intensidade que incomoda agora), é a visão “sobrenatural” e “sobre-humana” do Evangelho, que é comum nos nossos dias.

Com isso não estou dizendo que o sobrenatural não faça parte do Evangelho — claro que não. Como poderia afirmar algo assim, se o nosso nascimento para o Evangelho — não da carne, nem do sangue, mas do Espírito — é absolutamente sobrenatural? Não é disso que falo aqui.

Falo é da tendência (nem sempre explícita ou consciente) que vejo, em muitos que “crêem”, de acreditarem que viver o Evangelho é essencialmente deixar de ser humano. De achar que ser humano faz parte do “velho homem”, que aquele que crê não pode ser derrotado, nem se achar em fraqueza, nem ser tentado, nem experimentar a dor, o fracasso, a frustração, o cansaço — em suma, achar que crer é estar livre de ser humano.

A Bíblia, entretanto, conta uma história muito diferente. Todos os “heróis” da Bíblia são intensamente humanos, e quase todos têm defeitos graves e falhas de caráter. Eles sofrem, choram, riem e festejam; enganam, são enganados, pecam, se arrependem, entendem, falham em entender… de Adão até Paulo, passando por tantas outras personagens, o que se vê é um desfilar de figuras humanas, tão humanas que qualquer de nós pode se identificar com elas, com todas as nossas falhas e mazelas, e nisso vermos que o Deus com o qual cada uma delas se relacionou pode também se relacionar conosco, receber-nos tal como somos, e transformar cada um de nós em pessoas melhores — sem que deixemos de ser humanos.

Entretanto, é surpreendente ver como isso parece invisível a tantos que dizem crer em Deus. Há, assim, os que vivem seus dias no “reino do espírito”, se achando melhores que os que são “do mundo”; acham que merecem tudo que lhes é desejável e apreciável, que suas vontades devem ser satisfeitas, que eles podem mover o mundo visível e invisível segundo os seus desejos — fazendo, de si mesmos, não homens, mas deuses e semideuses.

Há também os que vêem o Evangelho como um ideal de perfeição potencialmente e teoricamente atingível; e se esforçam por buscar esse ideal, experimentando um fracasso que não conseguem aceitar; e aí surgem as máscaras (para que pareçam ser perfeitos para os outros “perfeitos”), os conflitos internos, as neuroses e culpas, as esquizofrenias induzidas, as regras auto-impostas; o rigor ascético irrefletido, a valorização de usos e costumes, a negação de pecados, os rituais e as mentiras constantes para afogar seu verdadeiro eu na prisão de si mesmo… até explodir na hipocrisia assassina, ou na libertinagem derivada de pulsões alimentadas e “sublimadas” em rituais vazios e palavras mágicas…

Ambos os grupos, entretanto, negam o cerne do Evangelho, e mesmo se opõem a ele; pois, de homens, querem se tornar deuses; enquanto que o Evangelho nos fala tão somente de um Deus que se fez homem. E esse homem teve fome, sede, chorou, alegrou-se; descansou quando se sentiu cansado, angustiou-se, desabafou, sentiu dor no corpo e na alma; viveu e morreu… e mesmo depois de ressurreto, comeu um peixinho com os discípulos; e levou consigo, pela eternidade, as marcas de um homem crucificado — homem esse que, ainda homem, é mediador entre Deus e os homens, e capaz de socorrer em tudo aos que são tentados, já que foi tentado como eles…

É hora (e já passou) de um Evangelho humano, tanto quanto o Senhor o foi – sem ser “humanista”. Um Evangelho que reconheça tudo que é característico do ser humano, à luz daquele Homem perfeito; que, ao fazer com que nos reconheçamos humanos, nos faz humanos, e capazes de ter compaixão, de pedir perdão, de errar, de tentar acertar; de amar o próximo, humano, como a nós mesmos, humanos que somos; de não nos acharmos melhores do que os outros, ou maiores do que a natureza da qual fazemos parte; de não nos guiarmos pelos nossos desejos e pulsões, mas deles usarmos com moderação e sabedoria; de dependermos em tudo da graça de Deus, de nos alegrarmos com as coisas pequenas e grandes, de atentarmos para os dias maus (que serão muitos), de vivenciarmos os “acasos” a que todos nós, seres humanos, estamos sujeitos – sabendo, porém, vislumbrar a graça e a misericórdia de Deus em cada um deles, sabedores de que Ele nos conhece e nos entende porque se fez um de nós, e porque nos fez a todos; e não nos fez anjos, ou deuses, mas simplesmente seres humanos. Um Evangelho que não cria uma geração de super-homens, mas só gente, e gente boa de Deus.

É hora de redescobrir esse Evangelho, porque é esse o Evangelho desde o princípio, pelo qual tantos homens limitados e falhos foram salvos – e pelo qual nós podemos ser salvos, também, de todas as nossas pretensões sobre-humanas e sobrenaturais, para experimentar, na nossa humanidade, a transcendência de Deus; e na nossa fraqueza e efemeridade, vermos aperfeiçoado o poder eterno de Deus; e, reconhecendo-nos vasos de barro, valorizarmos, barro que somos, o brilho do verdadeiro e precioso tesouro em nós.

Roberto Amorim – Membro da Igreja Presibiteriana do Bairro São Bento – BH
Editor do http://www.smalltalk.com.br

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