A Missão Urbana da Igreja de Antioquia da Síria (II)
30 maio, 2009 por Lucas Mota
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A. Testemunho para Todos
Esta igreja foi “plantada em Antioquia entre Judeus e Gregos” (Towner 1998:422). Os receptores desta mensagem foram Judeus e Gregos. “Não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus” (At. 11:19) deve ser entendido debaixo de dois conceitos da teologia de missão de Lucas. A frase “primeiro aos Judeus, e depois aos Gentios” não tem nada a ver com exclusividade, mas prioridade. E também tem a ver com o tema continuidade e descontinuidade da igreja (ou povo) como agente da missão. Lucas entende o papel dos Judeus e da igreja de Jerusalém neste processo (continuidade), mas também entende que o evangelho não esta confinado aos Judeus e a igreja de Jerusalém (descontinuidade). Por isso é que também somos informados por Lucas que “alguns deles, porém, que eram de Chipre e Cirene, e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos” (At. 11:20). Anunciavam a mensagem – qual mensagem? A mensagem “do evangelho [boas novas] do Senhor Jesus” (At. 11:20).
Se a igreja existe para ser um agente missionário para levar as boas novas do Senhor Jesus para todos, portanto ela deve proclamar a inclusão, universalidade cruzando barreiras raciais, sociais, étnicas, culturais, transculturais, buscando os não-alcançados. Este foi o exemplo do testemunho desta igreja, entendendo que a vocação missionária da igreja é para todos!
B. Testemunho Contextualizado, Centrado na Proclamação do “Senhor Jesus”
Esta é a segunda vez que Lucas usou a expressão “Senhor Jesus” relacionada ao evangelismo em Atos. Lucas usou a mesma expressão antes, porém com significado e aplicação diferente. “Esta igreja testemunhou o evangelho [boas novas] do Senhor Jesus” e “muitos, crendo, se converteram ao Senhor” e “muita gente se uniu ao Senhor” (Atos 11:20-21, 24). É claro que o conteúdo da mensagem é o mesmo (O evangelho). Porém, eu creio que a expressão Senhor Jesus era a mais contextualizada para as pessoas da cidade de Antioquia da Síria, porque esta igreja estava atingindo um tipo de pessoas (Gregos) que não possuíam um entendimento teológico, como os Judeus. Eis porque, em minha opinião, Lucas não esta falando de conceitos teológicos como o Reino de Deus, Messias, Cristo, o Filho do Homem, o Santo, nomes com significado para a audiência judaica. Ë importante observar que “o termo Senhor possuía diferentes significados no mundo Helenístico, quando, como disse Paulo, há muitos deuses e muitos senhores (1 Co. 8:5). Em Antioquia o título Senhor estava em uso corrente pelos pagãos para designar os deuses que eles adoravam tais como Isis e Serápis, e o imperador Romano era aclamado como Senhor no ritual do culto ao imperador” (Crowe 1997:105).
Desta forma, a igreja de Antioquia da Síria, sabendo deste contexto descrito acima a respeito da expressão Senhor, toma proveito para introduzir o evangelho, apresentando Jesus como Senhor Jesus. A tarefa missionária que não leva em consideração o contexto corre o risco de ser ineficaz e indiferente. Por outro lado, a tarefa missionária que se contextualiza sem missão não passa de inserção na cultura. Missão e contexto são inseparáveis. Essa igreja proclamou o evangelho do Senhor Jesus. Jesus é a contextualização do evangelho para todos os povos!
C. Testemunho Sacrificial e Doador
A igreja de Antioquia não entrou em conflitos teológicos entre proclamação e ação social. Ela não proclamou em termos de palavra apenas. Agabo previu, pelo Espírito, que viria uma severa fome por todo o mundo, isso no período do reinado de Cláudio (At. 11:28). Como resultado, “os discípulos, cada conforme as suas posses resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia; o que eles, com efeito, fizeram enviando aos presbíteros por intermédio de Barnabé e Saulo” (At. 11:29-30).
Muito provavelmente esta igreja conhecia o significado de necessidade. Ela sofreu com a falta de recursos financeiros quando ela estava sendo plantada. Porém agora, já que a igreja mãe estava em necessidade, é a igreja que foi perseguida que se levanta para ajudar. Que alegria para esses presbíteros da igreja de Jerusalém poder receber pelas mãos de Barnabé e Saulo a oferta dos cristãos Antioquinos! (AT. 11:30).
Missão e sacrifício parecem ser um binômio que não pode ser separado na vida da igreja. Nem todo sacrifício que a igreja faz resulta em missão, mas toda ação missionária implica em sacrifício, quer seja ele financeiro, pessoal, coletivo, emocional, etc. Sem a perspectiva do sacrifício a igreja corre o risco de perder a fé, de ver o além; o além de si mesma e o além das possibilidades. O sacrifício é um dos termômetros mais precisos para mostrar o quanto a igreja esta perto ou longe da práxis de Jesus. O compromisso da igreja com a missão de Jesus esta em proporção direta com sua práxis sacrificial. Esta por sua vez, determinará ou não o quanto ela é uma igreja missionária, encharcada da presença de Jesus.
O Alcance Missionário
A igreja de Antioquia da Síria tinha um enorme senso de missão. Essa igreja entendeu que missão é a razão da sua existência. Ela, uma filha de Jerusalém e da perseguição, tornou-se a mãe de tantas outras igrejas, como resultado do seu esforço de enviar e suportar tantos missionários. Nesta igreja nós vemos não somente seu trabalho missionário, mas também o trabalho missionário do Espírito Santo. Enquanto eles estavam servindo (adorando) ao Senhor, e jejuando, o Espírito Santo disse, “Separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram” (Ac. 13:2-3).
Assim, Antioquia da Síria torna-se a base para os missionários, e não Jerusalém. No regresso dos missionários, e suas viagens, eles retornavam a Antioquia. “E, tendo anunciado a palavra de Deus em Perge, desceram a Atália, e dali navegaram para Antioquia, onde [base] tinham sido recomendados pela graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles, e como abrira aos gentios a porta da fé. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos” (At. 14:26-28). Em seguida, no final agora da segunda viagem missionária, Paulo “tendo chegado a Cesaréia, desembarcou, subindo a Jerusalém e, tendo saudado a igreja, desceu para Antioquia”. Havendo passado ali algum tempo, saiu, atravessando sucessivamente a região da Galácia e Frígia, confirmando todos os discípulos” (AT. 18:22-23).
Nós podemos aprender com esta igreja que o alcance missionário tem algumas fundações: o Espírito Santo, adoração, jejum e oração, investimento de autoridade e envio.
Espírito Santo e missão são inseparáveis. Mesmo correndo o risco de uma generalização, creio que a igreja missionária é aquela que ouve e se move debaixo da ação do Espírito. Para isto, é necessário que a igreja esteja aberta para as manifestações do Espírito.
Conclusão
Um dos meus professores, no Fuller Theological Seminary, destaca sete características desta igreja, as quais são muito relevantes para a nossa práxis hoje. São elas:
-Ênfase evangelística;
-Pastorado Encorajador;
-Liderança Plural;
-Ensino Profético;
-Servir Sacrificial;
-Adoração Autêntica;
-Missão iniciada pelo Espírito (Hansen 1998a:n.p.).
Estas características nos revelam o quanto a igreja de Antioquia da Síria discerniu sua missão urbana, na realidade do seu contexto cultural e transcultural. Se a igreja de Jerusalém é conhecida como a Igreja Mãe do Cristianismo, por sua vez a igreja de Antioquia da Síria tornou-se conhecida como a Igreja Mãe do Mundo Gentílico, tornando-se um modelo de missão urbana. Foi este modelo que Barnabé e Paulo tinham em mente para plantar outras igrejas nas cidades que eles passaram. Esse mesmo modelo impulsionou Paulo para ser um missionário urbano, focalizando os principais centros urbanos do seu tempo, como: Antioquia da Pisidia (o centro civil e militar Galácia), Filipos (a colônia e a cidade lider do distrito da Macedônia), Tessalônica, um emergente centro urbano cosmopolitano, Atenas (a cidade cheia de deuses), Corinto (a junção entre Leste e o Oeste), Éfesos (a guardiã do templo da grande Artemis), Roma (a cidade chefe do império Romano). Não deveria também este modelo impulsionar nossa missão urbana hoje?
Autor: Jorge Barro
Fonte: MIAF







Bruno Silva comentou Dom, 22 - Ago 2010
Desde pequeno sempre sonhei evangelizar a Suíça e a Europa em geral.A cada dia Deus aumenta a Autoridade e o Poder Dele na minha vida como testemunha ocular de milagres.Moro sozinho há mais de 13 anos.Tenho nível superior mas estou totalmente sem renda por ser filho de político e ter renunciado o conforto e as imoralidades dos deleites de grande parte do meio que convivi,sendo que Deus sempre esteve ao meu lado mas sempre convivi com pessoas influentes mas amando ao meu Senhor e os verdadeiros cristãos das Igrejas de minha cidade.