A história do Movimento Punk no Mundo e no Brasil

27 agosto, 2009 por  
Arquivado em Artigos

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Numa época em que as músicas que tocavam nas rádios duravam de dez a quinze minutos, com grandes solos de guitarra e bateria, surge uma música rápida, curta e simples, tocada por rapazes cansados de ouvir hinos hippies e que decidem fazer suas próprias músicas, mesmo não sabendo tocar sequer um acorde. Assim nasce o punk rock em Nova Iorque entre 1974 e 1975, tendo como principal representante os Ramones. Eles já herdavam influências significativas como o MC5 e Stooges, e começam a tocar sem nenhuma pretensão além da diversão, tentando resgatar um pouco do rock dos anos 50 e 60.
Quase ao mesmo tempo em que nascia o punk, acabava os New York Dolls , a principal banda representante do glam rock – eles se vestiam como mulheres, além de usar purpurina e maquiagem, que era empresariada por uma figura que pouco depois se tornaria peça-chave para o punk, um inglês chamado Malcon McLaren. Percebendo o quanto os New York Dolls estavam ultrapassados, Malcon acaba com a banda e influenciado pela cena em Nova Iorque volta para Londres com uma idéia na cabeça. Assim nasce os Sex Pistols, uma criação de Malcon McLaren e sua esposa Vivienne Westwood. Eles juntam alguns freqüentadores de sua loja e incorporam a eles o visual da cena em Nova Iorque – com alguns toques pessoais da estilista Vivienne – e também o estilo da música já vivenciada por Malcon, com tons mais políticos.
Em 1 de dezembro de 1976, o grupo é convidado a participar de um programa de TV nacionalmente assistido, veiculado às 17h – hora do chá londrino. Pela primeira vez, é pronunciada a palavra “fuck off” em rede nacional – claro que pelo integrante mais polêmico do grupo: Johnny Rotten – e então a banda se torna alvo de toda a imprensa britânica, transformando-se num verdadeiro fenômeno.
Em 12 de novembro de 1977 o grupo lança seu primeiro e único álbum: Never Mind the Bollocks, Here’s The Sex Pistols.
Antes dos Sex Pistols, os Ramones já haviam gravado seu primeiro LP, Ramones, lançado no início de 1976. Assim, o punk acontece no mundo, com os Ramones, Sex Pistols, The Clash, e muitas outras bandas.
Inevitavelmente, o que acontecia no mundo chega ao Brasil – claro que algum tempo depois, e com algumas características um pouco diferentes. Alguns dizem que em 1976 alguns grupos de Brasília já ouviam os Ramones, mas a cena teve força mesmo em São Paulo, à partir de 1977. Em plena ditadura militar, os jovens agregam aquele novo som protestante às suas realidades. Através das poucas revistas que eram publicadas no Brasil com fotos dos Ramones e Sex Pistols, começam a imitar seu visual: jeans, camiseta branca, alfinetes nas roupas e no rosto, como forma de agressão à sociedade e ao sistema. Entre 1977 e 1980, os punks eram basicamente gangues de rua, que possuíam em comum a forma de vestir, o gosto pela música e o ódio um pelo outro. No início dos anos 80, as gangues de São Paulo começam a unir-se, mas ainda existia a rivalidade com os punks do ABC. Em 1982, Clemente, vocalista da banda Inocentes, Redson, vocalista da banda Cólera e mais alguns punks de São Paulo decidem organizar um festival para unir os punks de São Paulo e do ABC. Um pouco desconfiados, os punks do ABC topam vir para São Paulo participar do festival, e assim, é organizado o “Começo do Fim do Mundo”, festival histórico realizado no Sesc Pompéia. O festival acaba em pancadaria e polícia versus punks, e fica registrado como um dos maiores festivais punk do Brasil. Em 2001 e 2002, a então prefeita de São Paulo Marta Suplicy organiza na Lapa outros dois festivais em comemoração aos 20 anos do “Começo…”: “A Um Passo Para o Fim do Mundo” e “O Fim do Mundo”, com muitas bandas que participaram em 1982.
Apesar de o Movimento Punk se assemelhar em todos os países, cada qual ganhou aspectos particulares com o tempo. Quando chegou ao Brasil, o movimento era apolítico, mas foi em meados dos anos 80 que assumiu feições de movimento inclinado à esquerda e alguns punks passaram a colaborar com os anarquistas com rumo totalmente direcionado à militância política, com discussões e ações mais ativas, opondo-se à mídia tradicional, ao Estado, às instituições religiosas e grandes corporações capitalistas. Em 1988 alguns punks unem-se oficialmente com grupos anarquistas, criando assim os Anarcopunks.
Em geral, o movimento defende valores como o anti-machismo, anti-homofobia, anti-fascismo, liberdade individual, autodidatismo, etc.
Podemos dizer que os punks buscam uma revolução, uma quebra da hegemonia de idéias burguesas. Eles divulgam suas idéias através das músicas, de mídias alternativas – como os fanzines, e principalmente através do seu discurso. Em geral, evitam a mídia de massa, como as televisões pra difundir suas idéias, por acreditarem que essas mídias sejam grandes manipuladores de mentiras à sociedade, distorcendo os fatos em benefício próprio.
“O punk é um movimento sócio-cultural, ele é a revolta dos jovens da classe menos privilegiada, transportada por meio da música” disse Clemente, vocalista da banda Inocentes em carta resposta sem data à matéria intitulada “A Geração Abandonada” publicada pelo jornal O Estado de São Paulo também sem data definida, no ano de 1982.
Desde a chegada da cultura punk no Brasil até hoje, a maioria dos punks são pessoas bem jovens, vindas da periferia da cidade. A música com seu discurso anti-governo, a chamada ao confronto, o protesto contra a miséria, fala diretamente com esses jovens, fazendo que eles se identifiquem e passem a participar ativamente do movimento.
Ivone Cecília D’avila, Doutora em História Social – PUC Campinas escreveu na Revista “Varia História, Vol. 24, no. 40, – Punk: Cultura e Arte”:
“O enfrentamento costumeiro nas periferias das cidades foi adaptado para satisfazer às necessidades de comunicação da luta contra o capitalismo e a sociedade de consumo. A violência nesse sentido, responde a diferentes necessidades: repelir a violência policial, repelir de uma maneira geral as relações hierárquicas e toda a forma de repressão que contribuem para gerar, afirmar a postura de rebeldia e a cultura do mundo do qual ela deriva”
Mas não é só violência a favor de seus ideais que existe no movimento. Apesar de alguns punks não pertencerem a nenhum grupo, as gangues ainda assombram o movimento. As brigas entre gangues, ou entre punks e skinheads (neo-nazistas) ainda existem. Os casos mais graves, que muitas vezes acabam em morte chegam à imprensa, o que taxa equivocadamente todo o movimento como muito violento.
E é entre muita música, debates, violência, política, visual, a anarquia, história, lutas etc é que os punks sobrevivem até hoje no Brasil.

http://agenciabaquara.wordpress.com/a-historia-do-movimento-punk-no-mundo-e-no-brasil/

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Comentário

24 Comentarios em "A história do Movimento Punk no Mundo e no Brasil"

  1. Paulinho Punk comentou Dom, 4 - Out 2009  

    opa!Parabéns pela matéria, a boa vontade é sempre algo a ser aplaudida por ter a manifestação sobre o movimento punk de São Paulo.Também Sou do inicio do Movimento punk de SP, onde a explosão punk tomou conta da periferia da Z sul de SP com o nascimento da Phuneral Punk em 76 aqui por esses lados, lógo no final de 79 estavamos saindo da Z sul pra frequentar tb o centro no Lgo São Bento onde estavam também a maioria das gangues de todos os lados…e assim: historia continua pq também escrevi um livro sobre toda essa época historia e conturbada de nossas vidas, o livro se chama: SP PUNK-PHUNERAL PUNK ”OS SOBREVIVENTES”.Obriado pela oportunidade também. pois somos todos sobreviventes!!
    Gde abraço..
    Paulinho da Phuneral
    1977/2999
    *Os Sobreviventes!!*

  2. Paulinho Punk comentou Dom, 4 - Out 2009  

    opa!Parabéns pela matéria, a boa vontade é sempre algo a ser aplaudida por ter a manifestação sobre o movimento punk de São Paulo.Também Sou do inicio do Movimento punk de SP, onde a explosão punk tomou conta da periferia da Z sul de SP com o nascimento da Phuneral Punk em 76 aqui por esses lados, lógo no final de 79 estavamos saindo da Z sul pra frequentar tb o centro no Lgo São Bento onde estavam também a maioria das gangues de todos os lados…e assim: historia continua pq também escrevi um livro sobre toda essa época historia e conturbada de nossas vidas, o livro se chama: SP PUNK-PHUNERAL PUNK ”OS SOBREVIVENTES”.Obriado pela oportunidade também. pois somos todos sobreviventes!!
    Gde abraço..
    Paulinho da Phuneral
    1977/2999
    *Os Sobreviventes!!*

  3. Pedro Sena (A) comentou Qui, 28 - Jan 2010  

    “Punx Not Dead! Punx not Dead! Not Dead!” Sou punk, anarquista e cristão, eu consigo levar a anarquia e o cristianismo, sem entrar em conflitos, um com o outro.Curti muito a matéria, abração aê.

  4. Pimenta comentou Qui, 25 - Mar 2010  

    Acho q a idéia punk deveria ser mais alem ,oq o punk não gosta ou oq o punk gosta?
    vivemos sempre aprendendo culturas da rua ,muitos de nós não trabalhamos ,obiservamos bastante a nossa cultura ,fazemos protestos quando a coisa não esta nos agradando ,somos basicamentes como adão e eva
    gostamos da liberdade de pensar e agir ´muitas regras humanas q politicos corruptos fazem nos agride bastante ,porisso nos somos tão revoltados porisso as letras nas musicas de guerra e luta contra o sistema mesmo sabendo que quem faz o sistema somos “nos”mas nossas historias são atos de heroicos coseguimos bastante coisa com nossos protestos somos do abcmas gostamos de liberdade não há como impedir isso de nós punx não morreram punx não morreram!!
    obrigado por abrirem esse espaço para comentarmos
    essa materia é espetacular
    abraço ai valewwwwwwww

  5. ramiro de almeida comentou Seg, 5 - Jul 2010  

    sou da velha resistencia,anos 80 anarkista de verdade daquele que tinha um ideal na cabeça um movimento de repudio a isso que chamava de socieadade essa grande merda.ACHO hoge que movimento virou moda e muitas bandas afins capitalistas.RZO PACTO.

  6. Garage Spirit – O Estúdio Punk* dos anos ’010 - JOCUM Distrito Federal comentou Ter, 24 - Ago 2010  

    [...] *Ps:  embora tenha sido deturpado o termo punk vai muito além de gambiarras, ou guitarras de duas notas e bateria fora do ritmo, o termo carrega consigo a idéia do ” do yourself  ” ou faça você mesmo? quer saber mais sobre isso? veja no artigo a história do movimento punk [...]

  7. Gustavo Punk ES comentou Dom, 24 - Out 2010  

    Parabens sobre a materia ai em tiago vc é um cara q teve conciensia e escreveu oq o punk é na verdade Punk ta ae pra muda o mundo,

  8. samuca-punk comentou Qua, 9 - Mar 2011  

    pô maior essencia,nao tenho intimidade com com internete,e numca procurei ler relatos sobre punk parabens thi,vida longa,e tambem ao paulinho vou procura com carinho seu livro.nao sei se posso dizer q sou das antiga,nao pensem tambem q fui infruenciado a ser,ou melhor curti o som.sou d 85,e meu primeiro presente dado pelo padrinho foi uma vitrola e tres disco de vinil,vervel undergroud,jimi hendrix e sex pistols do qual tenho ate hoje embora fora escondida de mim por 7anos e estava entre o q procurava

    I

  9. Mantega comentou Seg, 18 - Abr 2011  

    Só uma correção a fazer, os punks tem conflitos com os carecas, não exatamente com os skinheads, grupos de skins, como o SHARP e o RASH, sempre estiveram do mesmo lado que os punks…
    E PORRA, tu só usou nomes da mídia pra ilustrar a matéria, cadê as bandas underground nessas horas

  10. diego punck comentou Qui, 28 - Abr 2011  

    punck e mais q disserq e punck; punck e um estilo de vida caralhoooo

  11. bin laden comentou Ter, 10 - Mai 2011  

    eeee seus punk

  12. bin laden comentou Ter, 10 - Mai 2011  

    punk é tudo sem punk o mundo seria como

  13. bin laden-funkeiro comentou Ter, 10 - Mai 2011  

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk lixo so to aqui para faser um trabalho mais gosto mesmo é de funk

  14. O Punk “Tupiniquim” nas décadas de 70 e 80 « Sombras e Luzes na década de 70 comentou Ter, 14 - Jun 2011  

    [...] do Movimento Punk no Mundo e no Brasil. 27 ago.2009. Arquivado em Artigos. Disponível em: <http://www.jocumdf.com/a-historia-do-movimento-punk-no-mundo-e-no-brasil/&gt; Acesso em: 20 mai. [...]

  15. Leandro Leopoldina ( o gordo ) comentou Sáb, 18 - Jun 2011  

    Bem, sei que vocês são um expoente em MISSÕES, tornando-se referência até fora do país. O LANCE É QUE EU ATÉ TINHA UMA BANDA PUNK. TUDO O QUE ME RESTOU FORAM AS EXPERIÊNCIAS COM DEUS, COM A BANDA E UM ACERVO DE PELO MENOS UMAS 06 A 10 OU ATÉ MAIS MÚSICAS QUE CONCERTEZA, MUDARIAM VIDAS. E PODEM ACREDITAR: BEM RAÍZ! NÃO ME SENTIRIA BEM AQUI P/ FALAR DE MINHAS INFLUÊNCIAS.
    PODEREI E ASSIM SERÁ SE PRAZEROSAMENTE FOR CONTACTADO POR EMAIL.
    O QUE EU GOSTARIA MSM É DE PRESENTIA-LAS A ALGUMA BANDA DE ATITUDE QUE LEVE DEUS E AS ALMAS A SÉRIO.JOCUM-AMO VOCÊS!!!
    LEANDRO EX compositor e batera da M.D.C-Mensagem Da Cruz. Leopoldina MG

  16. danielle comentou Dom, 7 - Ago 2011  

    Nossa que pena que ele faleceu…
    Esta banda é muito shou!!!

  17. Sidnei comentou Sex, 12 - Ago 2011  

    Cara, esse artigo disse tudo o que o Punk é, esse movimento ta ai, é muito mais do que roupas, guitarras e letras de musicas, Punks são revolucionários e estão ai pra mudar o mundo, espero que pessoas desenformadas e preconceituosas leiam essa matéria e entendam o que o Punk é. Punk, eu sou punk e odeio tudo aquilo que é anti-ético e se precisar de ser extremista pra mudar as coisas erradas nós Punks iremos até o fim. Parabéns pela matéria ficou muito boa!!

  18. veren@ comentou Qua, 31 - Ago 2011  

    punk forever

  19. Babi Punk comentou Qui, 15 - Set 2011  

    opa!Parabéns pela matéria, a boa vontade é sempre algo a ser aplaudida por ter a manifestação sobre o movimento punk de São Paulo.Também Sou do inicio do Movimento punk de SP, onde a explosão punk tomou conta da periferia da Z sul de SP com o nascimento da Phuneral Punk em 76 aqui por esses lados, lógo no final de 79 estavamos saindo da Z sul pra frequentar tb o centro no Lgo São Bento onde estavam também a maioria das gangues de todos os lados…e assim: historia continua pq também escrevi um livro sobre toda essa época historia e conturbada de nossas vidas, o livro se chama: SP PUNK-PHUNERAL PUNK ”OS SOBREVIVENTES”.Obriado pela oportunidade também. pois somos todos sobreviventes!!
    Gde abraço..

  20. fernando comentou Sáb, 15 - Out 2011  

    ai bin laden sai dai derrota negocio di funk oxe curti o ki é bom nos não falamos do seu estilo di musica portamto naum fale do nosso estilo di vida!

  21. mini punk comentou Ter, 25 - Out 2011  

    sou o guitarista da banda iron punk sou punk ate a morte

  22. júlio comentou Sáb, 5 - Nov 2011  

    Bom, gostei da matéria é realmente muito boa, eu admiro atitude, e com meios alternativos de se manifestar a atitude se torna mais polêmica a atentiva. O movimento PUNK só está divulgado aqui pois fez história, baseando-se em novos modelos de sociedade por parte da burguesia inserida e anti-corrupção da política idiota do nossos dias.
    O movimento PUNK tem que continuar e ser ouvido e praticado!!!!

  23. júlio comentou Sáb, 5 - Nov 2011  

    Cada pessoa tem direito de escolher o que quer ouvir, ser e praticar.
    Mas, NÃO FALE DO MOVIMENTO PUNK, NÃO FOI CITADO NADA A RESPEITO DO funk.

  24. roberto comentou Seg, 7 - Nov 2011  

    I wanna Rock

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