Propaganda Versus Evangelismo
março 31, 2010 by Lucas Mota
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Somos especialistas em fazer propaganda enfatizando exatamente aquilo que não somos. Isto é quase sempre uma regra. No desespero de atingirmos um grupo grande de pessoas, atropelar a ética se torna algo comum. É preciso perceber que a ética para a elaboração de mídias de produtos não pode ser utilizada para a disseminação do evangelho.
Isto se dá por que o evangelho não deve ser associado a um produto. A publicidade de um produto quase sempre busca encontrar um apelo emocional para que pessoas o comprem. Mas emocionalismo não é o sentimento correto daquele que conhece verdadeiramente o evangelho; pois é algo volúvel e que não durará muito tempo. Quem se entrega a apelos emocionais e compra algo, quase sempre irá trocar sua aquisição por uma “melhor” num futuro próximo.
Outro grande problema que enfrentamos ao falar em evangelismo, é tentarmos aplicar conceitos de marketing à igrejas. Conceitualmente, igrejas costumam ser exatamente o contrário do que sua divulgação afirma. Esta dualidade entre a mídia e a realidade, provoca decepções tremendas. E também não deixa de ser uma mentira. Já vi muitas pessoas que ficaram impressionadas por práticas de rua, ou até mesmo por eventos ditos de “evangelismo”, que abusavam de expressões artísticas. Mas ao chegar no culto de domingo, tais pessoas se sentiam enganadas. Parecia que todo aquele ambiente legal foi apenas uma isca para se apresentar mais “do mesmo de sempre”.
E talvez o tipo mais comum de decepção provocada pela propaganda é quando uma pessoa se filia a uma igreja na perspectiva de viver com pessoas melhores que ela mesma. Isto é algo que quase sempre acaba mal. Afinal, a igreja é a comunidade dos arrependidos; daqueles que buscam a vida em santidade, mas… o quanto somos melhores que os de fora? Na ânsia de estar andando com pessoas “sem problemas”, muitos acabam formando grupos organizados pelo pior tipo de afinidade: suas dificuldades. E estes tem tudo o que é necessário para promover grandes tragédias. Mas se nosso marketing abordasse a verdade, pessoas saberiam que em nosso meio, trabalhamos como um hospital: muitos doentes, buscando constante recuperação.
Conheço uma igreja que possui um banner com a foto de algumas pessoas escolhidas a dedo em sua fachada. Porém, com o tempo, algumas pessoas abandonaram a fé. Inclusive, duas pessoas se revelaram homossexuais e se afastaram completamente da comunidade. Este banner por muitos é considerado como uma propaganda que deu errado e que, com certa urgência, necessita ser substituído. Inclusive há quem defenda o uso de bancos de imagens (com imagens pessoas desconhecidas) na confecção de uma nova fachada. Mas… há algo mais autêntico do que o velho banner? O velho representa a verdade. Diz que no nosso meio há pessoas com problemas. Que alguns talvez não chegarão até o fim, apesar de suas juras de amor a Cristo. E também revela que temos problemas como qualquer outra pessoa.
Esta é a publicidade da verdade; que não mente para se alcançar resultados. E com certeza, um evangelismo baseado em mentiras, não pode ser usado para representar aquele que é o caminho, A VERDADE e a vida.
Ariovaldo Ramos
Fonte: Ariovaldo.com.br
Se Deus é culpado a culpa é nossa!
março 30, 2010 by Jean Gabriel
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“A mulher que está dando à luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo. Assim acontece com vocês: agora é hora de tristeza para vocês, mas eu os verei outra vez, e vocês se alegrarão, e ninguém lhes tirará essa alegria. Naquele dia vocês não me perguntarão mais nada. [...] Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”.
(João 16.21)
Todos nós temos a incrível tendência de procurar culpados para as grandes fatalidades da vida. A inocente criança vítima de abuso sexual. O trágico acidente que roubou a vida de um filho. A queda do avião com recém-casados indo para a lua de mel. O poder devastador do câncer que faz um coração cheio de sonhos parar de bater. A chuva torrencial que deixou 2 mil turistas ilhados sem água e sem comida em Machu Picchu. O terrível terremoto que matou mais de 200 mil pessoas no Haiti.
Diante de tais tragédias, não resta muito que fazer. Nessas horas, quando não encontramos argumentos racionais e explicações aceitáveis para a tragédia que nos assola, maior e mais inconsolável é a dor que o nosso coração é obrigado a suportar…e maior e mais ardente é a nossa inclinação para culpar a Deus.
Nos momentos de desesperança, os ateus gostam de se lembrar de Deus apenas para culpá-lo. Muitas das pessoas que eram simpáticas à existência de um Deus amoroso deixam de ser. E muitos daqueles que sempre acreditaram fielmente em um Deus protetor e cuidadoso se decepcionam vorazmente. Todos esses, de uma forma ou de outra, acabam incriminando a Deus em seus corações, vociferando em tom amargo:
Por que Deus permitiu que minha filhinha fosse abusada sexualmente? Por que Deus não fez nada para evitar que o avião caísse? Por que Deus permitiu que uma pessoa tão jovem fosse consumida por um câncer? Por que Deus se omite ao ver a natureza que Ele criou se rebelando contra a humanidade?
Não há nada mais natural do que essa reação. Quando acontece uma tragédia que nós, em nossa limitação, não entendemos ou não conseguimos compreender o porquê, é normal que coloquemos a responsabilidade sobre algo ou alguém que também não entendemos ou compreendemos plenamente. Quando o incognoscível nos faz sofrer, colocar a culpa no desconhecido parece ter o poder inexplicável de nos confortar.
Mas não conforta. Antes, nos aprisiona a uma dor que nunca vai cicatrizar totalmente; torna-nos escravos de uma pergunta que nunca vai ter resposta. Do lado da acusação, estamos nós, os seres-humanos. E Deus, no banco dos réus, acaba se tornando cada vez mais o grande culpado, justamente porque Ele ainda não é conhecido por grande parte de seus acusadores.
Se a humanidade conhecesse mais o Deus que a criou, certamente pararia para pensar no seguinte: e se Deus simplesmente não for o responsável por tudo isso? E se a culpa for do homem, da máquina, do clima? E se não existir necessariamente um culpado?
Se nós conhecêssemos mais a Deus, fatalmente entenderíamos que Ele nos ama, mesmo que as circunstâncias O acusem dizendo que Ele não nos ama. Compreenderíamos que o amor de Deus se aperfeiçoa, muitas vezes, no abandono. Perceberíamos que Deus é soberano, mas o homem é responsável. Enfim, saberíamos que Ele continua com seus olhos sempre abertos cuidando de nós, mesmo que nossos olhos O acusem da mais terrível omissão.
O grande erro da humanidade está em pensar que, se Deus existe, nenhum mal pode acontecer. Porém, Deus não depende de acontecimentos extraordinários ou de milagres para provar sua existência e demonstrar seu amor. Deus está na maior de todas as curas, e também está na maior de todas as perdas. Deus não precisa de circunstâncias favoráveis para mostrar que está ao nosso lado, cuidando de nós. Para demonstrar seu amor por nós, Deus não precisa de mais nada além do que já fez: dar a vida do seu único filho numa cruz.
A verdade é que todos esses desastres apontam para uma única resposta: a fragilidade do ser-humano. Sim, somos vulneráveis, fracos e pequenos demais. Hoje podemos estar cheios de vigor e esbanjando saúde, e amanhã amanhecermos num leito de hospital com insuficiência respiratória, à beira da morte. Deus não nos criou para sentir dor, mas sentimos. Deus não nos criou para morrer, mas morremos. O que aconteceu? O que está errado?
C.S. Lewis (teólogo) disse que “todo homem sabe que algo está errado quando sente dor”. Portanto, a dor que sentimos não nos mostra que Deus não existe ou não ama o ser-humano. Antes, nos mostra que algo está errado; nos mostra que a vida que vivemos hoje não é a vida que Deus criou para vivermos. Mostra-nos que o mundo como o conhecemos não é o mundo como Deus o concebeu. De fato, toda a dor, todas as mortes e todo o sofrimento que nos assolam não estavam de acordo com o plano inicial de Deus, mas são frutos do nosso afastamento de Deus desde o início da criação.
Então, para buscar resgatar o homem ao seu plano inicial, Deus preferiu condenar um inocente para salvar os verdadeiros culpados. A morte de um inocente trouxe vida a todos os culpados. Jesus veio ao mundo para dar vida eterna a todos aqueles que creiam no Seu nome e vivam como Ele viveu. Isso é promessa de Deus: “EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA. QUEM CRÊ EM MIM, AINDA QUE MORRA, VIVERÁ” (João 11.25). EU ENXUGAREI DE SEUS OLHOS TODA LÁGRIMA; E NÃO HAVERÁ MAIS MORTE, NEM HAVERÁ MAIS PRANTO, NEM LAMENTO, NEM DOR.” (Apocalipse 21:4)
Se continuarmos olhando para todas essas tragédias através de uma visão estritamente humana e sem conhecer o verdadeiro caráter de Deus, acabaremos empurrando nossas almas do alto de um abismo, cada vez mais para longe dEle. E, assim, a cada dia nos tornaremos um pouco mais frágeis, vulneráveis, perdidos e sem esperança. Está na hora de, antes de acusarmos a Deus, olharmos para a trave que está no nosso próprio olho. Está na hora de conhecermos a Deus como Ele verdadeiramente é. Porque se Deus é o culpado, a culpa é nossa.
Por Fernando Khoury
A geração turbinada
março 29, 2010 by raquelsilva
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Vivemos na época das especializações. O legado da pós-modernidade nos traz de presente, em todo o seu conteúdo, a personalização, ou melhor ainda, a especialização. Não adianta ser simples, tem que haver a especialidade. Sinais dos tempos, diriam uns. Modernidade, diriam outros. Seja o que for, uma coisa é certa: é realidade!
Ninguém mais procura, por exemplo, um clínico geral. O certo é procurar um especialista em dedo “mindinho” do pé esquerdo, porque se você não tomar cuidado acaba indo num especialista em “dedão” do pé direito. Essa especialização, se formos mais fundo, desembocará, inexoravelmente na individualização. E a individualização leva à arrogância e ao isolamento, assim entramos na roda viva da pós-modernidade. Cada um faz o que quer… compra o que quer… e há mercadorias para todos os gostos. Se alguém pensar hoje em comprar um chocolate verde com sabor de anis numa embalagem amarela, se procurar, encontra. Se não encontrar, entre em contato com o SAC da empresa, isso se você tiver sac. A empresa, pra ganhar um cliente fará o seu chocolate personalizado. Bom isso? Bom! Quando se trata de empresa, sim! Mas quando se trata de igreja…
Vivemos também a época dos acessórios, que são reflexo da individualidade. Quer um carro básico (do geral), ou vai um acessoriozinho? (do indivíduo). Você quer um modelo de fábrica, que todo mundo pode ter, ou paga-se mais um pouco e tem-se um carro com limpador de para-brisas com dupla borracha e sistema integrado de percepção pluviométrica ??
Como diria o meu amigo e jornalista Fábio Nazareth (a quem devo a idéia do texto), é como comprar na carrocinha de cachorro-quente do Zé. “- É só o pão com ‘salchicha’?(modelo básico), ou a madame quer ‘compreto’? (com os acessórios)” Por acessórios entenda-se milho, ervilha, maionese e tantas outras coisas que podem “enriquecer” o sanduíche.
Uma grande empresa de Fast-Food brasileira (é brasileira, mas é fast e é food) para tentar ganhar o mercado contra a principal rival, que é estrangeira, anuncia que “aqui você monta o sanduíche!” No fim das contas o que importa é oferecer o “algo mais”, ou, na linguagem empresarial, o diferencial da sua empresa. Bom para empresas… ruim para as igrejas…
Até mulher hoje já não reclama tanto de suas “infelicidades” corporais. Seios pequenos?? Turbina neles!! Bum-bum “murcho”, a gente ajeita! E saem todas felizes… Sentindo-se Danielles Winnittz e Sheilas Mellos, prontas para serem alvos das mais variadas cantadas, que elas mesmas rejeitam, mas gostam de ouvir. Hoje já não sabemos quais são as originais… Não questiono aqui se mulher deve ou não colocar próteses siliconadas, isso é coisa delas, ninguém se condene naquilo que aprova… Bom para as mulheres? Talvez! Exemplo para as igrejas? Nem tanto…
Vivemos na geração turbinada!
Ser básico não vale. Tem que ser “fashion”. Tem que ter algo mais… o diferencial!
E assim começa (ou continua) o nosso FEBEAIG (FEstival de BEsteiras que Assola as IGrejas), a versão “gospel” do FEBEAPA da época da ditadura, já que tudo (de bom e de ruim) agora tem que ter uma versão “gospelizada”.
Já não se procura mais um louvor simples. Tem que ser louvor “profético”. Mesmo que o louvor seja dirigido a Deus e que para Deus não se profetize, pois é por Ele e nEle que se encerra toda a profecia, assim vamos nós… o importante é turbinar…
Já não quero ser um adorador comum, tenho que ser um adorador “levita”, mesmo que essa “casta” já não exista mais. Mesmo que os levitas deixem de existir quando o templo deixa de ser o prédio para ser o corpo e que o sacerdote deixe de ser o líder e todos experimentemos da benção de sermos, nós mesmos, sacerdócio real.
Já não procuro uma igreja simples, mas uma igreja com “propósitos”. Ora, igreja sem propósitos não é igreja!! Se não tem propósitos o que estou fazendo lá ? Estou de propósito numa igreja sem propósito?? Qual o propósito disso??
A guerra pelo merchandising de igrejas é algo tétrico. As igrejas se vendem como marcas de cervejas. Uma desce redonda, a outra é a que todo mundo merece, outra é a número um, e por aí vai…
As igrejas agora acoplam títulos ao seu nome.
Igreja Tal – A que vive da fé! É lógico que vive da fé. Se não vivesse não servia para ser igreja.
Igreja X – A igreja da comunhão! Se não há comunhão, há igreja ???
Igreja Y – A Igreja com cara de Leão… Igreja tem que Ter cara é de cordeiro, pois somos entregues á morte todos os dias, como ovelhas para o matadouro… pelo menos é o que a Palavra diz…
Igreja Fulana – Uma igreja da Palavra. Igreja que preza pela palavra não precisa anunciar isso no letreiro, o povo verá. Será uma igreja honrada, cairá na simpatia do povo, ou na perseguição total pela fidelidade que incomoda. Mas não precisa de letreiro luminoso, precisa de gente que brilhe por viver o evangelho. Isso funciona mais que qualquer propaganda.
Igreja A – Uma Igreja que tem Asas de Águia! Igreja não foi chamada pra ter asas de águia, mas pernas de homem. Bem aventurados os PÉS dos que anunciam a paz!! A Palavra diz que é aquele que sai ANDANDO e chorando e plantando a semente… não o que sai voando… A Igreja é chamada de seguidora do Caminho… e é nesse caminho que devemos andar…
Hoje não há mais simples adoração. Há a “adoração de guerra”, tornando-nos mais belicosos do que já somos… e lutando pela paz.
Não queremos mais o pastor de ovelhas, mas o Apóstolo das nações.
Não serve a adoração em espírito e em verdade, só a “adoração extravagante”. Que de extravagante passa a ser extra vazante, vazando por todos os lados as maiores esquisitices em nome do Deus a quem se deve adorar, não com extravagância, mas com coração contrito e sincero.
O logos de Deus não faz mais tanto sucesso quanto o rhema da confissão positiva: é a Palavra Turbinada! Só a Palavra não serve… tem que ter a “revelação”.
Mas… ainda creio que podemos voltar ao cristianismo puro e simples… há mais de 7.000 que não dobraram o joelho ao Baal turbinado.
Só não quero ver daqui há alguns anos, um comercial onde apareça uma caquética tartaruguinha dizendo: “- Já fiz muito comercial de igreja… mas naquele tempo eles só queriam mesmo era saber de números, de leões, de ursos, águias e outros bichos mais…. mas encheu o saco!”
E tá enchendo mesmo!
Um abraço,
José Barbosa Junior – sem acréscimos
Jaira Ferreira
março 26, 2010 by Tiago Esmeraldo
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Natural de:
Rio de Janeiro – RJ
Ministério:
Treinamento
ETED:
2009.1 – Belo Horizonte – Centro
Contato:
jairamoreno.blogspot.com
“A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido
e não na vitoria propriamente dita.”
Jeferson Ferreira
março 26, 2010 by Tiago Esmeraldo
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Natural de:
Vinhedo – SP
Ministério:
ETED
ETED:
2009.1 – Belo Horizonte – Centro
Contato:
www.flogao.com.br/nazireus
Marlene Rodrigues
março 26, 2010 by Tiago Esmeraldo
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Natural de:
Coromandel -MG
Ministério:
Treinamento
ETED:
2006.1 – Brasília
Contato:
Pr. Iamandro – Descansar em Deus
março 24, 2010 by Tiago Esmeraldo
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Temor do Senhor – Intimidade & Religiosidade – Repost
março 23, 2010 by Thiago Rodriguez
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Temor do Senhor – Intimidade&Religiosidade
“Ensina-me, Senhor o teu caminho, e andarei na tua verdade; dispõe-me o coração para só temer o teu nome”Sl. 86:11
Aprendemos em nossa “educação” religiosa, que devemos temer a Deus.
O propósito celestial para que temamos a Deus se baseia não na idéia de que devemos respeitar o Senhor por questão de sobrevivência ou medo, mas em conhecimento e relacionamento.
Pode alguém não conhecendo a Deus, temê-lo de forma consciente, legítima e prazerosa ? Claro que não.
Se nutrimos algum comportamento melindroso e paranóico sobre temor do Senhor que tem como máxima o cumprimento de uma lista imaginária de “podes e não podes”, estamos apenas praticando um rito religioso como alguém que segue uma receita para fazer um bolo.
O conhecimento da pessoa de Deus nos constrange, atrai e inspira a reverência-Lo com paixão, devoção e sacrifício. Dessa forma descobrimos um Deus, cujo prazer e alegria se revela em ver no homem, primícia de Sua criação, o desejo verdadeiro de amá-lo por conhecer não só o Seu poder que é fogo consumidor, mas sua graça, que nos justifica e dignifica. O temor pelo medo, culpa ou religião, só contribuiu para a construção de um deus frio, inquisidor e inacessível.
O temor do Senhor é para propósito de vida e intimidade com Deus. Assim nossa oração, a fim de sermos tementes ao Senhor deve ser embasada em clamor, arrependimento e conhecimento da graça, que converte e dispõe o nosso coração para em verdade e temer o Senhor em alegria e gratidão.
“O temor do Senhor é fonte de vida, e afasta das armadilhas da morte. Pv.14:27
A Atitude Cristã e a Pós-modernidade – Repost
março 23, 2010 by Lucas Mota
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O maior desafio da igreja cristã em cada geração é se fazer entendida pelas pessoas de sua própria época. Esse fato é importante, pois nunca vamos conseguir falar de qualquer assunto, se não nos comunicarmos na linguagem cultural de nossa sociedade. Então, devemos ter o trabalho de pesquisar e entender o que se chama o “espírito da época”, ou as maneiras de pensar do homem atual, para que a mensagem chegue ao coração das pessoas.
Mas que tempo é esse que vivemos que temos que discernir o que devemos utilizar para a expansão do reino de Deus e também nos prevenir? De uma maneira geral, os filósofos o chamam de Idade Pós-moderna. Esse nome não quer dizer muita coisa, mas é justamente essa indefinição que caracteriza a pós-modernidade. A pós-modernidade é uma espécie de reação não planejada à modernidade ou e era moderna. A modernidade é caracterizada por alguns sonhos bem específicos. Primeiro a modernidade entronizava a razão como o principal meio de se obter conhecimento e tomar decisões, segundo ela rejeitava todo tipo de religião ou doutrina que tinha contato com algum ser transcendente que pudesse se revelar ao ser humano. Terceiro ela estabelecia as ciências naturais como o meio de aperfeiçoamento da humanidade. Isto quer dizer que através do domínio da natureza pelas leis naturais, a erradicação das doenças e a conseqüente eternização do homem, pela automatização do trabalho que faria o homem trabalhar muito menos e a erradicação do mal através de um mundo perfeito onde ninguém iria querer roubar ou matar seu semelhante, pois todos gozariam de um grande bem estar e felicidade eterna, o homem conseguiria construir o seu paraíso sem a apelar para a inadequação da religião.
Podemos ver claramente que esses objetivos da modernidade falharam miseravelmente. A natureza não foi domada, pelo contrário, cada vez mais a terra geme e se revolta contra o homem através de grandes cataclismos devido o impacto ambiental do progresso humano. As pragas não foram domadas pelo contrário existe o aparecimento de novas epidemias, além de bactérias multi-resistentes que estão custando muito para serem domadas. Em termos de trabalho, nunca o homem se esforçou tanto para trabalhar primeiro no aprimoramento e estudo e depois na carga horária e de stress que o trabalho contemporâneo produz, enchendo as salas dos psicólogos. Em termos de pobreza, dados de várias associações mostram no mundo uma maior concentração de renda com os ricos enquanto grandes populações não possuem o mínimo para sobreviver. Em termos de guerras, as duas guerras mundiais que aconteceram no século XX, quando a humanidade perdeu sua virgindade atômica fizeram cidades inteiras desaparecerem. Todo esse fracasso do ideal iluminista racionalista deixou o homem perplexo depois da 2ª guerra mundial. Nesse ponto, o homem moderno fica sem saída, pois não quer mais voltar para a religião mítica que rejeitou anteriormente, e nem quer continuar com o projeto falido que desvanecera nos escombros das guerras. Então a reação foi uma rejeição ao moderno sem saber direito para onde se estava indo. O resultado dessa reação reflexiva autônoma é a pós-modernidade, uma espécie rejeição aos ideais da modernidade, ainda que sem uma proposta concreta e elaborada.
Por isso foi dito que a modernidade tem a indefinição como característica, não porque adotasse conscientemente, mas por que vive nessa indefinição devido ao rápido colapso do pensamento dominante anterior.
Dentro dessa reação pós-moderna podemos localizar algumas posturas que procedem desse tipo de perfil, bem característico de quem ainda não achou o seu caminho após o trauma sofrido.
Primeiro é o remorso generalizado. O homem pós-moderno sofre de remorso por várias coisas que antes, ele julga, foi feito de maneira equivocada. O exemplo é a natureza, antes apenas era uma barreira para o progresso agora é quase adorada como uma deusa-mãe da humanidade. A tecnologia, outro exemplo, passou a ter um foco maior para o alívio das tensões humanas e para recompensar o esforço feito no trabalho produzindo status social. A tecnologia, portanto assume um papel mais imediatista e recompensador do esforço humano, do que uma porta mítica para um aperfeiçoamento da humanidade como foi anteriormente. O significado também sofreu sua metamorfose. Enquanto na modernidade a significação de um texto seria específica vinculada à mente do autor que escreve, na pós-modernidade esse significado já não pertence ao autor no momento que este o passa para o papel, mas se torna livre para que o leitor tire do texto aquilo que mais lhe convier. Com isso a definição de verdade e mentira se torna subjetiva, o que pode ser verdade para um pode não ser verdade para outro. Conseqüentemente a ausência de um padrão de verdade e mentira, também se reflete na estrutura do ser humano com relação a sua identidade pessoal. A busca do homem pelo significado de si mesmo perde o sentido, pois se perde referencia do que se deve ser. O resultado por sua vez é a crise existencial de quase todo homem pós-moderno, devido ao vazio de alvo para a sua trajetória. Em outras palavras a mistura explosiva de buscar um sentido para ser, aliado ao trabalho intenso para sobreviver, torna o homem alvo da ansiedade existencial, que o leva a uma depressão não apenas pessoal, mas também social. Resumindo é para um vazio cada vez maior de propósito que estamos indo.
A posição do homem na linha da história seria mais ou menos essa:
Olhando para o passado o homem não vê um propósito, pois eliminou a religião que lhe dizia que houve um Deus transcendente a esse mundo que criou o homem como um plano e desígnio definido.
Olhando para o futuro o homem se decepciona, pois a ciência que iria levá-lo ao paraíso terrestre só produziu o inferno das guerras e da destruição ambiental retirando uma expectativa de um mundo melhor.
O que sobra então para o homem? Resposta: O presente. Em outras palavras o homem precisa tirar do seu Hoje toda a sua expectativa de desejo satisfeito, significado e realização de uma vida inteira. A sobrecarga do presente leva o homem a uma insatisfação muito grande, pois não há imediatismo que consiga dar conta de toda a expectativa e esperança humana.
As reações, entretanto não param aí, ao sentir o vazio de propósito no seu interior o ser humano pós-moderno faz do entretenimento o alvo chave para seu querer. Desde a descontração com os amigos num bar, passando por uma viagem turística até aos esportes radicais em contato com a natureza, sempre se busca um prazer compensador para todo o contexto indefinido da pós-modernidade. Até a religião antes execrada pela modernidade volta à cena, não como era antes, mas como um dos instrumentos de alivio humano para o conflito interior de ser. Isto é, essa religião pós-moderna não precisa ter coerência nenhuma em seus pressupostos, mas apenas acolher o homem dando-lhe uma esperança, qualquer que seja. Como ela não exige coerência de visão ou de doutrina ela pode abusar para o misticismo irracional ou para o pragmatismo econômico sem cair em contradição, sendo que as religiões que possuem essas características são as mais procuradas pela população.
Agora que o palco da tragédia contemporânea está montado o que a Igreja de Cristo poderia fazer para testemunhar de Deus nesse período da história?
É interessante dizer que apesar dessa época ser confusa, não podemos nos enganar pensando que um evangelho sem precisão teológica ou bíblica será prontamente acolhido pelas pessoas. Também por outro lado não devemos rejeitar essa época pós-moderna como se fosse inteiramente maligna. Isto é fechando-se para o mundo com medo de se contaminar, blindando a igreja culturalmente e procurando desenvolver-se com uma cultura separada. Podemos ver pela história que a igreja vitoriosa é a que interage com o mundo de maneira sábia, isto é sem conformar-se com o mundo, mas também sem retirar-se do mundo. Esse equilíbrio às vezes não é muito fácil, mas é imprescindível para a vida da igreja. Podemos então dois aspectos de aonde a igreja deve se identificar e dois que ela deve repelir a pós-modernidade. Os aspectos que levam a identificação facilitarão o testemunho da igreja, e os aspectos que levam a separação blindarão a igreja da influência má deste século. Vamos ás duas características de identificação:
1 – A ênfase em relacionamentos
A falida modernidade era marcada pelo individualismo, quer dizer o homem moderno achava que não precisava de ninguém, que através de seu conhecimento ele seria perfeito. Por isso ela preferia ficar na presença de pessoas capazes como ele, que não fossem fracas ou ineptas. A pós-modernidade tem a característica de valorizar as ligações pessoais. O homem pós-moderno busca uma comunidade que ele possa se identificar e ser identificado. Isso em suma é ótimo para a igreja transmitir sua mensagem. Se as pessoas buscam sua identidade dentro de um grupo social a igreja pode ser este grupo perfeitamente. Para isso, entretanto é necessário receber as pessoas de maneira pessoal e não massificada. Isto é, o ser humano pós-moderno foge e tem fugido de se sentir mais um numa multidão. Ele quer sentir importante e marcante aonde ele se relaciona. Por isso a igreja pós-moderna precisa evitar fórmulas mágicas de agregar pessoas em bandos com tem sido feito constantemente. Esses planos de crescimento têm mais a ver com a modernidade em que o alvo coletivo era infinitamente mais importante que o valor pessoal. Um exemplo disso foi os milhões de pessoas anônimas que morreram nas guerras por causa de seus países e de seus alvos coletivos.
2 – A ênfase na variedade de formas e tendências
A uniformização de tudo que se fazia era uma das características principais da modernidade. Era o que se chamava de produção em série, isto é, o importante era uma forma básica que pudesse ser reproduzida várias vezes com menos custo e gasto de energia. Essa característica da modernidade levou o homem ao desespero da monotonia. Várias casas iguais no mesmo bairro, várias roupas iguais e de preço baixo, vários carros iguais saindo das fábricas, essa era a grande beleza e conquista moderna. Hoje sabemos que não é assim, as pessoas não querem mais o que é produzido para muitas pessoas usarem, mas o que é artesanalmente produzido. Hoje se escolhe a comida caseira, o detalhe feito mão nas roupas, o nome bordado ao invés do crachá. Essa variação de formas e tendências tem despertado o homem pós-moderno para sua singularidade, isto é, quando ele interage com o diferente. A igreja da mesma forma, se quiser alcançar o homem dessa era não pode se especializar nisso ou naquilo. Ela não pode buscar o seu desenvolvimento espiritual, ou seu crescimento numérico, ou sua evangelização formatando estratégias que por sua vez formatam pessoas que posteriormente formataram outros, essas estratégias baseadas no pensamento moderno de produzir muito com pouco esforço e com formas iguais separará a igreja do mundo (como tem feito) e da sua obra evangelizadora. Que estratégia usar para produzirmos convertidos aos montes? Que curso inventaremos para produzir líderes em toneladas? Que tipo de culto vamos fazer para que todos de uma vez recebam uma nova experiência com Deus? A resposta é nenhum! Isso por que a igreja não é uniforme, é multiforme ela não tem extremo, mas tem tendências, ela não possui dom, mas uma variedade deles. É nessa variedade é que a igreja acha a naturalmente e espontaneamente sua maneira de ser na sociedade.
Agora podemos citar as duas características que blindarão a igreja de influências malignas presentes nesse século:
1 – Rejeição ao desconstrucionismo da literatura.
Como foi mencionado acima uma das características mais específicas da pós-modernidade é interpretar os textos não pelo que o autor quer que signifique, mas pelo que o leitor quer que signifique para ele naquele momento. Essa tendência pós-moderna passou debaixo das portas das igrejas e escolas bíblicas como um nevoeiro e atingiu a maneira de como se deve interpretar a Bíblia. O significado das escrituras guardado no texto bíblico, que foi inspirado por Deus, e dado aos autores dos 66 livros da Bíblia parece que hoje não pesam no desejo de se conhecer a Deus intimamente e saber sua vontade. Hoje se alegando também uma inspiração do Espírito Santo tiramos os versículos e parágrafos de contexto e damos a eles um outro significado que o autor da escritura nunca sonhou em dar. Muitas vezes chamamos isso de atualizar a bíblia para o momento de hoje. Na verdade o que se está fazendo é justamente o que a pós-modernidade chama de desconstruir o texto, e o mais interessante é que essa idéia aparece na igreja justamente quando a humanidade teve a idéia de tratar o texto dessa maneira, seria isso uma coincidência ou uma contaminação e conformação desse século em nossas mentes cristãs? Podemos levantar dois argumentos básicos contra essa nova moda evangélica. O primeiro é se o Espírito Santo pode nos falar usando qualquer coisa e essa é a maneira regular que ele faz para nos edificar e transformar nosso caráter que sentido teria a inspiração da Bíblia? Por que homens lutaram e perderam sua vida para salvar a escritura inspirada e diferencia-la de outros livros que não eram inspirados? Se a principal maneira de Deus se comunicar conosco é usando qualquer texto ou qualquer fenômeno houve um grande desperdício na história da igreja para proteger a Bíblia dos que queriam queimá-la, dos heréticos que queriam pervertê-la e, além disso, não valeu de nada se arriscar para levar milhões de bíblias para países da antiga cortina de ferro e para o mundo mulçumano. Não! Existe uma diferença no que está escrito nas Escrituras e o que podemos receber por revelação pessoal e a escritura se torna uma base para julgamento de qualquer coisa que se chama de revelação pessoal hoje. Se não fosse não teria motivo o cânon inspirado ter sido fechado depois do Apocalipse. O segundo argumento seria uma contra argumentação a respeito do que seria atualizar a Bíblia ou a mensagem dela. Devemos ter em mente que a mensagem da Bíblia através de seus textos foi idealizada por Deus que habita a eternidade, isto é, Deus não é sujeito ao tempo. Então sua mensagem é também uma mensagem eterna para o homem de qualquer época, pois a eternidade é superior à temporalidade. Não é difícil observar, porém que essa mensagem eterna foi transmitida num momento histórico específico e, portanto para chegarmos ao âmago da mensagem e aproveita-la em toda a sua intensidade devemos levar em conta o tempo e o espaço que foi escrito, estudando-os para que possamos entender melhor a intenção do autor. Quando entendemos essa mensagem que nos é dada pela Bíblia, nós tocamos uma mensagem eterna que tem a autoridade do próprio Cristo e tem o mesmo poder de transformação.
2 – A rejeição da superficialidade e artificialidade nos relacionamentos.
Foi adito anteriormente que a falta de identidade e a vontade de se relacionar é um ponto positivo na era pós-moderna. No entanto podemos perceber um lado sombrio nesse comportamento. Essa vontade de se reunir para acabar com a solidão, não quer dizer que a pessoa deixou de ser egoísta. A comunidade se torna então um lugar para ele se sentir bem acompanhado, mas ela não perde seu senso forte de privacidade não se deixando conhecer por outros. Isso impede que o verdadeiro sentido de igreja se torne real. Todos os sítios sociais têm seus heróis e mitos, a igreja enquanto comunidade, social também idealiza muitas vezes seus perfis heróicos resultado de suas experiências como comunidade, entretanto não deve ser assim na igreja de Cristo. Ela deve acolher as pessoas como são para que elas se relacionem sem máscaras e possam na sua transparência produzir sua parte na comunidade, sem construir para si um comportamento tido como espiritual superior e evitar a produção de ídolos e cultos à personalidade para aqueles que aparentemente alcançaram tal padrão. Assim da mesma maneira a liderança deve assumir esse nível transparência para que aja uma referencia no rebanho também. E todos possam contribuir com o que são para a edificação da comunidade. Só quem é livre para se relacionar com seus dons e defeitos pode contribuir para uma edificação do corpo.
Resumindo a pós-modernidade veio trazer tanto coisas boas como ruins para o pensamento humano. Devemos saber discernir quais são nossas portas de acesso através dela para a evangelização e formação do caráter espiritual do cristão. Além disso, devemos nos precaver contra a batalha espiritual que este século também nos impõe para que possamos não nos conformar e sermos uma voz profética em nossa geração.
Lívio Bruno
A Missão Urbana da Igreja de Antioquia da Síria (I) – Repost
março 23, 2010 by Lucas Mota
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A partir de Atos 13:1 a 28:31 nós encontramos a última narrativa geográfica de Lucas, em seu esforço por demonstrar que Evangelho deveria ser levado à todas a nações. Para isto, Lucas enfatiza a missão da igreja de Antioquia da Síria, e o ministério do Apóstolo Paulo nos principais centros urbanos de sua época. Este artigo focaliza a primeira parte, a missão da igreja de Antioquia da Síria.
Antioquia foi a cidade onde a fundação para a missão mundial foi estabelecida para alcançar os confins da terra. Ela era uma cidade cosmopolitana, a metrópoles da Síria, e depois tornou-se a capital da província Romana na Ásia.
Essa cidade foi fundada por Seleuco I Nicator em 300 AC, no rio Orontes, aproximadamente 26 km do Mediterrâneo e cerca 480 km (ao norte) de Jerusalém. Antioquia tornou-se a capital da dinastia dos Seleucidas, cujo nome vem de Antioco I, pai de Seleuco, o qual era general de Alexandre o Grande. Em 64 AC, debaixo da liderança de Pompei, os Romanos chegaram a Antioquia, controlando-a como seu centro administrativo e militar. E em 27 AC ela tornou-se a capital da Síria. Sendo um importante centro comercial e ações militares, Antioquia tornou-se um influente centro urbano, uma cidade (polis) Helenística. Também, era a terceira cidade do Império Romano, sendo um mosaico de culturas. Conhecida como a “primeira cidade do Leste”. DeVries entende que “Antioquia era a segunda somente em relação à Jerusalém como um centro do Cristianismo primitivo” (DeVries 1997:345).
Exceto Jerusalém, a cidade de Antioquia da Síria foi a mais importante cidade da história da igreja primitiva. Através desta igreja de Antioquia da Síria a missão mundial foi estabelecida para alcançar os confins da terra. Por isso se faz necessário olhar seu nascimento, testemunho, liderança, e alcance missionário.
O Nascimento da Igreja
A igreja de Antioquia da Síria nasceu como resultado da grande “tribulação que sobreveio a Estevão, se espalharam até Antioquia” (At. 11:19). Esta igreja é uma filha da perseguição e Estevão tem parte em sua história. Depois do discurso de Estevão, e consequentemente sua morte, “levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria” (At. 8:1). Nada podia parar e impedir o avanço da palavra de Deus, porque os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra (At. 8:4).
Quem são os “que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estevão?” (At. 11:19). Eles eram Judeus cristãos Helenístas, que falavam o grego. A perseguição afetou quase toda a igreja, “exceto os apóstolos” (At. 8:1). Muito provavelmente a perseguição afetou mais os Helenístas, os quais foram para a Judéia e Samaria, e as cidades de Azoto, todas as cidades, e Cesaréia na costa do Mediterrâneo (At. 8:40). Passando “pelas regiões da Judéia e Samaria” (At. 8:1), eles finalmente chegaram “até a Fenícis, Chipre e Antioquia (At. 11:19).”
Não podemos ignorar esse caráter de perseguição e sofrimento como elementos que produziram e influenciaram o nascimento desta igreja. Qualquer estudioso do crescimento da igreja jamais poderia imaginar que esta perseguição espalharia os cristãos da igreja primitiva não somente à Antioquia da Síria, mas aos confins da terra. “Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus” (At. 11:20). Em seguida veremos que esta igreja, filha da perseguição possuía líderes cheios de visão missionária. Perseguidos sim, mas não desorganizados!
A Liderança da Igreja
Em sendo uma cidade multiétnica, “dividida em Gregos, Sírios, Judeus, Latinos e Africanos” (Bakke 1997:146), a igreja também reflete este caráter em sua liderança. Uma multicultural, multicor, multiétnica equipe formava a liderança pastoral desta igreja. Isto mostra-nos a heterogeneidade como uma das marcas distintas da comunidade da fé. “Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão por sobrenome Niger, Lúcio de Cirene, Manaém , colaço de Herodes o tetrarca e Saulo (At. 13:1). Barnabé era um levita, de Chipre (At. 4:36). Simeão, chamado Niger (Negro) muito provavelmente um prosélito judeu. Lucius era de Cirene, uma cidade Africana. Ele era um Gentio ou um Judeu com nome Romano. Manaém (“Confortador”) foi criado com Herodes Antipas, o tetrarca da Galiléia. Saul foi um ex-Fariseu e um cidadão Romano. Foi a partir desta variedade de contextos, culturas e raças que a liderança da igreja de Antioquia foi formada.
Não existe dúvida de que o líder mais proeminente desta igreja foi Barnabé, sendo a “ponte ideal entre dois mundos, uma pessoa confiada tanto pelos moradores que falavam o Aramaico em Jerusalém e as pessoas Helenístas de Chipre e Cirene” (Crowe 1997:92). O trabalho missionário nesta cidade teve tanto sucesso que a “notícia chegou aos ouvidos da igreja em Jerusalém” (At. 11:22). Desejando saber o que estava acontecendo, “eles enviaram Barnabé até Antioquia” (At. 11:22). Existem três hipóteses relacionadas a Barnabé. Primeira, ele era um Helenista moderado, tendo um relacionamento muito próximo aos apóstolos, o qual não precisou escapar da perseguição de Atos 8:1-3. Segunda, ele era um do grupo que fundou esta igreja. Terceiro, ele era um missionário independente que veio à Antioquia. Se existem dúvidas a respeito desta pessoa, por outro lado não existe nenhuma dúvida quanto ao seu caráter, sendo “um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé” (At. 11:24).
Barnabé teve uma importância fundamental na solidificação desta igreja. Sua primeira atitude foi chamar Saulo para juntar-se a equipe, trazendo-o à Antioquia. Sua missão era “reunir a igreja e ensinar numerosa multidão” (At. 11:26). Como resultado desse esforço missionário nesta igreja eles tornaram-se os delegados (representantes) oficiais para viajar para todos os lugares, proclamando as boas novas do Senhor Jesus (At. 13:2-3).
O Testemunho da Igreja
Infelizmente Lucas não dá-nos uma narrativa detalhada sobre o ministério desta igreja. Se esta igreja foi a primeira igreja que proclamou as boas novas do Senhor Jesus além das fronteiras Judaicas, tornando-se a iniciadora do movimento missionário ao mundo Gentílico, não poderíamos esperar mais detalhes desse tremendo esforço desta igreja, especialmente se aceitarmos que Lucas era proveniente de Antioquia da Síria. Contudo, os poucos detalhes que ele nos deu ajudam-nos a ter uma idéia do tipo de igreja que ele estava narrando. O testemunho desta igreja pode ser visto em pelo menos três momentos.
Autor: Jorge Barro
Fonte: MIAF


