JOCUM DF – Nova Base
maio 31, 2009 by Tiago Esmeraldo
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O motivo desta é falar de um momento muito importante que estamos vivendo. Muito além da provisão de um teto sobre nossas cabeças é o propósito de lutarmos para estabelecermos um local físico para nossa base missionária. Contato: contato@jocumdf.com 61 3434-0671 61 – 8463-4741
A Missão Urbana da Igreja de Antioquia da Síria (II)
maio 30, 2009 by Lucas Mota
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A. Testemunho para Todos
Esta igreja foi “plantada em Antioquia entre Judeus e Gregos” (Towner 1998:422). Os receptores desta mensagem foram Judeus e Gregos. “Não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus” (At. 11:19) deve ser entendido debaixo de dois conceitos da teologia de missão de Lucas. A frase “primeiro aos Judeus, e depois aos Gentios” não tem nada a ver com exclusividade, mas prioridade. E também tem a ver com o tema continuidade e descontinuidade da igreja (ou povo) como agente da missão. Lucas entende o papel dos Judeus e da igreja de Jerusalém neste processo (continuidade), mas também entende que o evangelho não esta confinado aos Judeus e a igreja de Jerusalém (descontinuidade). Por isso é que também somos informados por Lucas que “alguns deles, porém, que eram de Chipre e Cirene, e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos” (At. 11:20). Anunciavam a mensagem – qual mensagem? A mensagem “do evangelho [boas novas] do Senhor Jesus” (At. 11:20).
Se a igreja existe para ser um agente missionário para levar as boas novas do Senhor Jesus para todos, portanto ela deve proclamar a inclusão, universalidade cruzando barreiras raciais, sociais, étnicas, culturais, transculturais, buscando os não-alcançados. Este foi o exemplo do testemunho desta igreja, entendendo que a vocação missionária da igreja é para todos!
B. Testemunho Contextualizado, Centrado na Proclamação do “Senhor Jesus”
Esta é a segunda vez que Lucas usou a expressão “Senhor Jesus” relacionada ao evangelismo em Atos. Lucas usou a mesma expressão antes, porém com significado e aplicação diferente. “Esta igreja testemunhou o evangelho [boas novas] do Senhor Jesus” e “muitos, crendo, se converteram ao Senhor” e “muita gente se uniu ao Senhor” (Atos 11:20-21, 24). É claro que o conteúdo da mensagem é o mesmo (O evangelho). Porém, eu creio que a expressão Senhor Jesus era a mais contextualizada para as pessoas da cidade de Antioquia da Síria, porque esta igreja estava atingindo um tipo de pessoas (Gregos) que não possuíam um entendimento teológico, como os Judeus. Eis porque, em minha opinião, Lucas não esta falando de conceitos teológicos como o Reino de Deus, Messias, Cristo, o Filho do Homem, o Santo, nomes com significado para a audiência judaica. Ë importante observar que “o termo Senhor possuía diferentes significados no mundo Helenístico, quando, como disse Paulo, há muitos deuses e muitos senhores (1 Co. 8:5). Em Antioquia o título Senhor estava em uso corrente pelos pagãos para designar os deuses que eles adoravam tais como Isis e Serápis, e o imperador Romano era aclamado como Senhor no ritual do culto ao imperador” (Crowe 1997:105).
Desta forma, a igreja de Antioquia da Síria, sabendo deste contexto descrito acima a respeito da expressão Senhor, toma proveito para introduzir o evangelho, apresentando Jesus como Senhor Jesus. A tarefa missionária que não leva em consideração o contexto corre o risco de ser ineficaz e indiferente. Por outro lado, a tarefa missionária que se contextualiza sem missão não passa de inserção na cultura. Missão e contexto são inseparáveis. Essa igreja proclamou o evangelho do Senhor Jesus. Jesus é a contextualização do evangelho para todos os povos!
C. Testemunho Sacrificial e Doador
A igreja de Antioquia não entrou em conflitos teológicos entre proclamação e ação social. Ela não proclamou em termos de palavra apenas. Agabo previu, pelo Espírito, que viria uma severa fome por todo o mundo, isso no período do reinado de Cláudio (At. 11:28). Como resultado, “os discípulos, cada conforme as suas posses resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia; o que eles, com efeito, fizeram enviando aos presbíteros por intermédio de Barnabé e Saulo” (At. 11:29-30).
Muito provavelmente esta igreja conhecia o significado de necessidade. Ela sofreu com a falta de recursos financeiros quando ela estava sendo plantada. Porém agora, já que a igreja mãe estava em necessidade, é a igreja que foi perseguida que se levanta para ajudar. Que alegria para esses presbíteros da igreja de Jerusalém poder receber pelas mãos de Barnabé e Saulo a oferta dos cristãos Antioquinos! (AT. 11:30).
Missão e sacrifício parecem ser um binômio que não pode ser separado na vida da igreja. Nem todo sacrifício que a igreja faz resulta em missão, mas toda ação missionária implica em sacrifício, quer seja ele financeiro, pessoal, coletivo, emocional, etc. Sem a perspectiva do sacrifício a igreja corre o risco de perder a fé, de ver o além; o além de si mesma e o além das possibilidades. O sacrifício é um dos termômetros mais precisos para mostrar o quanto a igreja esta perto ou longe da práxis de Jesus. O compromisso da igreja com a missão de Jesus esta em proporção direta com sua práxis sacrificial. Esta por sua vez, determinará ou não o quanto ela é uma igreja missionária, encharcada da presença de Jesus.
O Alcance Missionário
A igreja de Antioquia da Síria tinha um enorme senso de missão. Essa igreja entendeu que missão é a razão da sua existência. Ela, uma filha de Jerusalém e da perseguição, tornou-se a mãe de tantas outras igrejas, como resultado do seu esforço de enviar e suportar tantos missionários. Nesta igreja nós vemos não somente seu trabalho missionário, mas também o trabalho missionário do Espírito Santo. Enquanto eles estavam servindo (adorando) ao Senhor, e jejuando, o Espírito Santo disse, “Separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram” (Ac. 13:2-3).
Assim, Antioquia da Síria torna-se a base para os missionários, e não Jerusalém. No regresso dos missionários, e suas viagens, eles retornavam a Antioquia. “E, tendo anunciado a palavra de Deus em Perge, desceram a Atália, e dali navegaram para Antioquia, onde [base] tinham sido recomendados pela graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles, e como abrira aos gentios a porta da fé. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos” (At. 14:26-28). Em seguida, no final agora da segunda viagem missionária, Paulo “tendo chegado a Cesaréia, desembarcou, subindo a Jerusalém e, tendo saudado a igreja, desceu para Antioquia”. Havendo passado ali algum tempo, saiu, atravessando sucessivamente a região da Galácia e Frígia, confirmando todos os discípulos” (AT. 18:22-23).
Nós podemos aprender com esta igreja que o alcance missionário tem algumas fundações: o Espírito Santo, adoração, jejum e oração, investimento de autoridade e envio.
Espírito Santo e missão são inseparáveis. Mesmo correndo o risco de uma generalização, creio que a igreja missionária é aquela que ouve e se move debaixo da ação do Espírito. Para isto, é necessário que a igreja esteja aberta para as manifestações do Espírito.
Conclusão
Um dos meus professores, no Fuller Theological Seminary, destaca sete características desta igreja, as quais são muito relevantes para a nossa práxis hoje. São elas:
-Ênfase evangelística;
-Pastorado Encorajador;
-Liderança Plural;
-Ensino Profético;
-Servir Sacrificial;
-Adoração Autêntica;
-Missão iniciada pelo Espírito (Hansen 1998a:n.p.).
Estas características nos revelam o quanto a igreja de Antioquia da Síria discerniu sua missão urbana, na realidade do seu contexto cultural e transcultural. Se a igreja de Jerusalém é conhecida como a Igreja Mãe do Cristianismo, por sua vez a igreja de Antioquia da Síria tornou-se conhecida como a Igreja Mãe do Mundo Gentílico, tornando-se um modelo de missão urbana. Foi este modelo que Barnabé e Paulo tinham em mente para plantar outras igrejas nas cidades que eles passaram. Esse mesmo modelo impulsionou Paulo para ser um missionário urbano, focalizando os principais centros urbanos do seu tempo, como: Antioquia da Pisidia (o centro civil e militar Galácia), Filipos (a colônia e a cidade lider do distrito da Macedônia), Tessalônica, um emergente centro urbano cosmopolitano, Atenas (a cidade cheia de deuses), Corinto (a junção entre Leste e o Oeste), Éfesos (a guardiã do templo da grande Artemis), Roma (a cidade chefe do império Romano). Não deveria também este modelo impulsionar nossa missão urbana hoje?
Autor: Jorge Barro
Fonte: MIAF
A Missão Urbana da Igreja de Antioquia da Síria (I)
maio 29, 2009 by Lucas Mota
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A partir de Atos 13:1 a 28:31 nós encontramos a última narrativa geográfica de Lucas, em seu esforço por demonstrar que Evangelho deveria ser levado à todas a nações. Para isto, Lucas enfatiza a missão da igreja de Antioquia da Síria, e o ministério do Apóstolo Paulo nos principais centros urbanos de sua época. Este artigo focaliza a primeira parte, a missão da igreja de Antioquia da Síria.
Antioquia foi a cidade onde a fundação para a missão mundial foi estabelecida para alcançar os confins da terra. Ela era uma cidade cosmopolitana, a metrópoles da Síria, e depois tornou-se a capital da província Romana na Ásia.
Essa cidade foi fundada por Seleuco I Nicator em 300 AC, no rio Orontes, aproximadamente 26 km do Mediterrâneo e cerca 480 km (ao norte) de Jerusalém. Antioquia tornou-se a capital da dinastia dos Seleucidas, cujo nome vem de Antioco I, pai de Seleuco, o qual era general de Alexandre o Grande. Em 64 AC, debaixo da liderança de Pompei, os Romanos chegaram a Antioquia, controlando-a como seu centro administrativo e militar. E em 27 AC ela tornou-se a capital da Síria. Sendo um importante centro comercial e ações militares, Antioquia tornou-se um influente centro urbano, uma cidade (polis) Helenística. Também, era a terceira cidade do Império Romano, sendo um mosaico de culturas. Conhecida como a “primeira cidade do Leste”. DeVries entende que “Antioquia era a segunda somente em relação à Jerusalém como um centro do Cristianismo primitivo” (DeVries 1997:345).
Exceto Jerusalém, a cidade de Antioquia da Síria foi a mais importante cidade da história da igreja primitiva. Através desta igreja de Antioquia da Síria a missão mundial foi estabelecida para alcançar os confins da terra. Por isso se faz necessário olhar seu nascimento, testemunho, liderança, e alcance missionário.
O Nascimento da Igreja
A igreja de Antioquia da Síria nasceu como resultado da grande “tribulação que sobreveio a Estevão, se espalharam até Antioquia” (At. 11:19). Esta igreja é uma filha da perseguição e Estevão tem parte em sua história. Depois do discurso de Estevão, e consequentemente sua morte, “levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria” (At. 8:1). Nada podia parar e impedir o avanço da palavra de Deus, porque os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra (At. 8:4).
Quem são os “que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estevão?” (At. 11:19). Eles eram Judeus cristãos Helenístas, que falavam o grego. A perseguição afetou quase toda a igreja, “exceto os apóstolos” (At. 8:1). Muito provavelmente a perseguição afetou mais os Helenístas, os quais foram para a Judéia e Samaria, e as cidades de Azoto, todas as cidades, e Cesaréia na costa do Mediterrâneo (At. 8:40). Passando “pelas regiões da Judéia e Samaria” (At. 8:1), eles finalmente chegaram “até a Fenícis, Chipre e Antioquia (At. 11:19).”
Não podemos ignorar esse caráter de perseguição e sofrimento como elementos que produziram e influenciaram o nascimento desta igreja. Qualquer estudioso do crescimento da igreja jamais poderia imaginar que esta perseguição espalharia os cristãos da igreja primitiva não somente à Antioquia da Síria, mas aos confins da terra. “Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus” (At. 11:20). Em seguida veremos que esta igreja, filha da perseguição possuía líderes cheios de visão missionária. Perseguidos sim, mas não desorganizados!
A Liderança da Igreja
Em sendo uma cidade multiétnica, “dividida em Gregos, Sírios, Judeus, Latinos e Africanos” (Bakke 1997:146), a igreja também reflete este caráter em sua liderança. Uma multicultural, multicor, multiétnica equipe formava a liderança pastoral desta igreja. Isto mostra-nos a heterogeneidade como uma das marcas distintas da comunidade da fé. “Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão por sobrenome Niger, Lúcio de Cirene, Manaém , colaço de Herodes o tetrarca e Saulo (At. 13:1). Barnabé era um levita, de Chipre (At. 4:36). Simeão, chamado Niger (Negro) muito provavelmente um prosélito judeu. Lucius era de Cirene, uma cidade Africana. Ele era um Gentio ou um Judeu com nome Romano. Manaém (“Confortador”) foi criado com Herodes Antipas, o tetrarca da Galiléia. Saul foi um ex-Fariseu e um cidadão Romano. Foi a partir desta variedade de contextos, culturas e raças que a liderança da igreja de Antioquia foi formada.
Não existe dúvida de que o líder mais proeminente desta igreja foi Barnabé, sendo a “ponte ideal entre dois mundos, uma pessoa confiada tanto pelos moradores que falavam o Aramaico em Jerusalém e as pessoas Helenístas de Chipre e Cirene” (Crowe 1997:92). O trabalho missionário nesta cidade teve tanto sucesso que a “notícia chegou aos ouvidos da igreja em Jerusalém” (At. 11:22). Desejando saber o que estava acontecendo, “eles enviaram Barnabé até Antioquia” (At. 11:22). Existem três hipóteses relacionadas a Barnabé. Primeira, ele era um Helenista moderado, tendo um relacionamento muito próximo aos apóstolos, o qual não precisou escapar da perseguição de Atos 8:1-3. Segunda, ele era um do grupo que fundou esta igreja. Terceiro, ele era um missionário independente que veio à Antioquia. Se existem dúvidas a respeito desta pessoa, por outro lado não existe nenhuma dúvida quanto ao seu caráter, sendo “um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé” (At. 11:24).
Barnabé teve uma importância fundamental na solidificação desta igreja. Sua primeira atitude foi chamar Saulo para juntar-se a equipe, trazendo-o à Antioquia. Sua missão era “reunir a igreja e ensinar numerosa multidão” (At. 11:26). Como resultado desse esforço missionário nesta igreja eles tornaram-se os delegados (representantes) oficiais para viajar para todos os lugares, proclamando as boas novas do Senhor Jesus (At. 13:2-3).
O Testemunho da Igreja
Infelizmente Lucas não dá-nos uma narrativa detalhada sobre o ministério desta igreja. Se esta igreja foi a primeira igreja que proclamou as boas novas do Senhor Jesus além das fronteiras Judaicas, tornando-se a iniciadora do movimento missionário ao mundo Gentílico, não poderíamos esperar mais detalhes desse tremendo esforço desta igreja, especialmente se aceitarmos que Lucas era proveniente de Antioquia da Síria. Contudo, os poucos detalhes que ele nos deu ajudam-nos a ter uma idéia do tipo de igreja que ele estava narrando. O testemunho desta igreja pode ser visto em pelo menos três momentos.
Autor: Jorge Barro
Fonte: MIAF
Jim Stier – História da JOCUM Brasil
maio 29, 2009 by Tiago Esmeraldo
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Institucional DF
maio 29, 2009 by Tiago Esmeraldo
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EMU-Escola de Missões Urbanas
maio 29, 2009 by Tiago Esmeraldo
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ETED
maio 29, 2009 by Tiago Esmeraldo
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Metástase
maio 29, 2009 by Tiago Esmeraldo
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ETED-DTS
maio 29, 2009 by Tiago Esmeraldo
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A Atitude Cristã e a Pós-modernidade
maio 28, 2009 by Lucas Mota
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O maior desafio da igreja cristã em cada geração é se fazer entendida pelas pessoas de sua própria época. Esse fato é importante, pois nunca vamos conseguir falar de qualquer assunto, se não nos comunicarmos na linguagem cultural de nossa sociedade. Então, devemos ter o trabalho de pesquisar e entender o que se chama o “espírito da época”, ou as maneiras de pensar do homem atual, para que a mensagem chegue ao coração das pessoas.
Mas que tempo é esse que vivemos que temos que discernir o que devemos utilizar para a expansão do reino de Deus e também nos prevenir? De uma maneira geral, os filósofos o chamam de Idade Pós-moderna. Esse nome não quer dizer muita coisa, mas é justamente essa indefinição que caracteriza a pós-modernidade. A pós-modernidade é uma espécie de reação não planejada à modernidade ou e era moderna. A modernidade é caracterizada por alguns sonhos bem específicos. Primeiro a modernidade entronizava a razão como o principal meio de se obter conhecimento e tomar decisões, segundo ela rejeitava todo tipo de religião ou doutrina que tinha contato com algum ser transcendente que pudesse se revelar ao ser humano. Terceiro ela estabelecia as ciências naturais como o meio de aperfeiçoamento da humanidade. Isto quer dizer que através do domínio da natureza pelas leis naturais, a erradicação das doenças e a conseqüente eternização do homem, pela automatização do trabalho que faria o homem trabalhar muito menos e a erradicação do mal através de um mundo perfeito onde ninguém iria querer roubar ou matar seu semelhante, pois todos gozariam de um grande bem estar e felicidade eterna, o homem conseguiria construir o seu paraíso sem a apelar para a inadequação da religião.
Podemos ver claramente que esses objetivos da modernidade falharam miseravelmente. A natureza não foi domada, pelo contrário, cada vez mais a terra geme e se revolta contra o homem através de grandes cataclismos devido o impacto ambiental do progresso humano. As pragas não foram domadas pelo contrário existe o aparecimento de novas epidemias, além de bactérias multi-resistentes que estão custando muito para serem domadas. Em termos de trabalho, nunca o homem se esforçou tanto para trabalhar primeiro no aprimoramento e estudo e depois na carga horária e de stress que o trabalho contemporâneo produz, enchendo as salas dos psicólogos. Em termos de pobreza, dados de várias associações mostram no mundo uma maior concentração de renda com os ricos enquanto grandes populações não possuem o mínimo para sobreviver. Em termos de guerras, as duas guerras mundiais que aconteceram no século XX, quando a humanidade perdeu sua virgindade atômica fizeram cidades inteiras desaparecerem. Todo esse fracasso do ideal iluminista racionalista deixou o homem perplexo depois da 2ª guerra mundial. Nesse ponto, o homem moderno fica sem saída, pois não quer mais voltar para a religião mítica que rejeitou anteriormente, e nem quer continuar com o projeto falido que desvanecera nos escombros das guerras. Então a reação foi uma rejeição ao moderno sem saber direito para onde se estava indo. O resultado dessa reação reflexiva autônoma é a pós-modernidade, uma espécie rejeição aos ideais da modernidade, ainda que sem uma proposta concreta e elaborada.
Por isso foi dito que a modernidade tem a indefinição como característica, não porque adotasse conscientemente, mas por que vive nessa indefinição devido ao rápido colapso do pensamento dominante anterior.
Dentro dessa reação pós-moderna podemos localizar algumas posturas que procedem desse tipo de perfil, bem característico de quem ainda não achou o seu caminho após o trauma sofrido.
Primeiro é o remorso generalizado. O homem pós-moderno sofre de remorso por várias coisas que antes, ele julga, foi feito de maneira equivocada. O exemplo é a natureza, antes apenas era uma barreira para o progresso agora é quase adorada como uma deusa-mãe da humanidade. A tecnologia, outro exemplo, passou a ter um foco maior para o alívio das tensões humanas e para recompensar o esforço feito no trabalho produzindo status social. A tecnologia, portanto assume um papel mais imediatista e recompensador do esforço humano, do que uma porta mítica para um aperfeiçoamento da humanidade como foi anteriormente. O significado também sofreu sua metamorfose. Enquanto na modernidade a significação de um texto seria específica vinculada à mente do autor que escreve, na pós-modernidade esse significado já não pertence ao autor no momento que este o passa para o papel, mas se torna livre para que o leitor tire do texto aquilo que mais lhe convier. Com isso a definição de verdade e mentira se torna subjetiva, o que pode ser verdade para um pode não ser verdade para outro. Conseqüentemente a ausência de um padrão de verdade e mentira, também se reflete na estrutura do ser humano com relação a sua identidade pessoal. A busca do homem pelo significado de si mesmo perde o sentido, pois se perde referencia do que se deve ser. O resultado por sua vez é a crise existencial de quase todo homem pós-moderno, devido ao vazio de alvo para a sua trajetória. Em outras palavras a mistura explosiva de buscar um sentido para ser, aliado ao trabalho intenso para sobreviver, torna o homem alvo da ansiedade existencial, que o leva a uma depressão não apenas pessoal, mas também social. Resumindo é para um vazio cada vez maior de propósito que estamos indo.
A posição do homem na linha da história seria mais ou menos essa:
Olhando para o passado o homem não vê um propósito, pois eliminou a religião que lhe dizia que houve um Deus transcendente a esse mundo que criou o homem como um plano e desígnio definido.
Olhando para o futuro o homem se decepciona, pois a ciência que iria levá-lo ao paraíso terrestre só produziu o inferno das guerras e da destruição ambiental retirando uma expectativa de um mundo melhor.
O que sobra então para o homem? Resposta: O presente. Em outras palavras o homem precisa tirar do seu Hoje toda a sua expectativa de desejo satisfeito, significado e realização de uma vida inteira. A sobrecarga do presente leva o homem a uma insatisfação muito grande, pois não há imediatismo que consiga dar conta de toda a expectativa e esperança humana.
As reações, entretanto não param aí, ao sentir o vazio de propósito no seu interior o ser humano pós-moderno faz do entretenimento o alvo chave para seu querer. Desde a descontração com os amigos num bar, passando por uma viagem turística até aos esportes radicais em contato com a natureza, sempre se busca um prazer compensador para todo o contexto indefinido da pós-modernidade. Até a religião antes execrada pela modernidade volta à cena, não como era antes, mas como um dos instrumentos de alivio humano para o conflito interior de ser. Isto é, essa religião pós-moderna não precisa ter coerência nenhuma em seus pressupostos, mas apenas acolher o homem dando-lhe uma esperança, qualquer que seja. Como ela não exige coerência de visão ou de doutrina ela pode abusar para o misticismo irracional ou para o pragmatismo econômico sem cair em contradição, sendo que as religiões que possuem essas características são as mais procuradas pela população.
Agora que o palco da tragédia contemporânea está montado o que a Igreja de Cristo poderia fazer para testemunhar de Deus nesse período da história?
É interessante dizer que apesar dessa época ser confusa, não podemos nos enganar pensando que um evangelho sem precisão teológica ou bíblica será prontamente acolhido pelas pessoas. Também por outro lado não devemos rejeitar essa época pós-moderna como se fosse inteiramente maligna. Isto é fechando-se para o mundo com medo de se contaminar, blindando a igreja culturalmente e procurando desenvolver-se com uma cultura separada. Podemos ver pela história que a igreja vitoriosa é a que interage com o mundo de maneira sábia, isto é sem conformar-se com o mundo, mas também sem retirar-se do mundo. Esse equilíbrio às vezes não é muito fácil, mas é imprescindível para a vida da igreja. Podemos então dois aspectos de aonde a igreja deve se identificar e dois que ela deve repelir a pós-modernidade. Os aspectos que levam a identificação facilitarão o testemunho da igreja, e os aspectos que levam a separação blindarão a igreja da influência má deste século. Vamos ás duas características de identificação:
1 – A ênfase em relacionamentos
A falida modernidade era marcada pelo individualismo, quer dizer o homem moderno achava que não precisava de ninguém, que através de seu conhecimento ele seria perfeito. Por isso ela preferia ficar na presença de pessoas capazes como ele, que não fossem fracas ou ineptas. A pós-modernidade tem a característica de valorizar as ligações pessoais. O homem pós-moderno busca uma comunidade que ele possa se identificar e ser identificado. Isso em suma é ótimo para a igreja transmitir sua mensagem. Se as pessoas buscam sua identidade dentro de um grupo social a igreja pode ser este grupo perfeitamente. Para isso, entretanto é necessário receber as pessoas de maneira pessoal e não massificada. Isto é, o ser humano pós-moderno foge e tem fugido de se sentir mais um numa multidão. Ele quer sentir importante e marcante aonde ele se relaciona. Por isso a igreja pós-moderna precisa evitar fórmulas mágicas de agregar pessoas em bandos com tem sido feito constantemente. Esses planos de crescimento têm mais a ver com a modernidade em que o alvo coletivo era infinitamente mais importante que o valor pessoal. Um exemplo disso foi os milhões de pessoas anônimas que morreram nas guerras por causa de seus países e de seus alvos coletivos.
2 – A ênfase na variedade de formas e tendências
A uniformização de tudo que se fazia era uma das características principais da modernidade. Era o que se chamava de produção em série, isto é, o importante era uma forma básica que pudesse ser reproduzida várias vezes com menos custo e gasto de energia. Essa característica da modernidade levou o homem ao desespero da monotonia. Várias casas iguais no mesmo bairro, várias roupas iguais e de preço baixo, vários carros iguais saindo das fábricas, essa era a grande beleza e conquista moderna. Hoje sabemos que não é assim, as pessoas não querem mais o que é produzido para muitas pessoas usarem, mas o que é artesanalmente produzido. Hoje se escolhe a comida caseira, o detalhe feito mão nas roupas, o nome bordado ao invés do crachá. Essa variação de formas e tendências tem despertado o homem pós-moderno para sua singularidade, isto é, quando ele interage com o diferente. A igreja da mesma forma, se quiser alcançar o homem dessa era não pode se especializar nisso ou naquilo. Ela não pode buscar o seu desenvolvimento espiritual, ou seu crescimento numérico, ou sua evangelização formatando estratégias que por sua vez formatam pessoas que posteriormente formataram outros, essas estratégias baseadas no pensamento moderno de produzir muito com pouco esforço e com formas iguais separará a igreja do mundo (como tem feito) e da sua obra evangelizadora. Que estratégia usar para produzirmos convertidos aos montes? Que curso inventaremos para produzir líderes em toneladas? Que tipo de culto vamos fazer para que todos de uma vez recebam uma nova experiência com Deus? A resposta é nenhum! Isso por que a igreja não é uniforme, é multiforme ela não tem extremo, mas tem tendências, ela não possui dom, mas uma variedade deles. É nessa variedade é que a igreja acha a naturalmente e espontaneamente sua maneira de ser na sociedade.
Agora podemos citar as duas características que blindarão a igreja de influências malignas presentes nesse século:
1 – Rejeição ao desconstrucionismo da literatura.
Como foi mencionado acima uma das características mais específicas da pós-modernidade é interpretar os textos não pelo que o autor quer que signifique, mas pelo que o leitor quer que signifique para ele naquele momento. Essa tendência pós-moderna passou debaixo das portas das igrejas e escolas bíblicas como um nevoeiro e atingiu a maneira de como se deve interpretar a Bíblia. O significado das escrituras guardado no texto bíblico, que foi inspirado por Deus, e dado aos autores dos 66 livros da Bíblia parece que hoje não pesam no desejo de se conhecer a Deus intimamente e saber sua vontade. Hoje se alegando também uma inspiração do Espírito Santo tiramos os versículos e parágrafos de contexto e damos a eles um outro significado que o autor da escritura nunca sonhou em dar. Muitas vezes chamamos isso de atualizar a bíblia para o momento de hoje. Na verdade o que se está fazendo é justamente o que a pós-modernidade chama de desconstruir o texto, e o mais interessante é que essa idéia aparece na igreja justamente quando a humanidade teve a idéia de tratar o texto dessa maneira, seria isso uma coincidência ou uma contaminação e conformação desse século em nossas mentes cristãs? Podemos levantar dois argumentos básicos contra essa nova moda evangélica. O primeiro é se o Espírito Santo pode nos falar usando qualquer coisa e essa é a maneira regular que ele faz para nos edificar e transformar nosso caráter que sentido teria a inspiração da Bíblia? Por que homens lutaram e perderam sua vida para salvar a escritura inspirada e diferencia-la de outros livros que não eram inspirados? Se a principal maneira de Deus se comunicar conosco é usando qualquer texto ou qualquer fenômeno houve um grande desperdício na história da igreja para proteger a Bíblia dos que queriam queimá-la, dos heréticos que queriam pervertê-la e, além disso, não valeu de nada se arriscar para levar milhões de bíblias para países da antiga cortina de ferro e para o mundo mulçumano. Não! Existe uma diferença no que está escrito nas Escrituras e o que podemos receber por revelação pessoal e a escritura se torna uma base para julgamento de qualquer coisa que se chama de revelação pessoal hoje. Se não fosse não teria motivo o cânon inspirado ter sido fechado depois do Apocalipse. O segundo argumento seria uma contra argumentação a respeito do que seria atualizar a Bíblia ou a mensagem dela. Devemos ter em mente que a mensagem da Bíblia através de seus textos foi idealizada por Deus que habita a eternidade, isto é, Deus não é sujeito ao tempo. Então sua mensagem é também uma mensagem eterna para o homem de qualquer época, pois a eternidade é superior à temporalidade. Não é difícil observar, porém que essa mensagem eterna foi transmitida num momento histórico específico e, portanto para chegarmos ao âmago da mensagem e aproveita-la em toda a sua intensidade devemos levar em conta o tempo e o espaço que foi escrito, estudando-os para que possamos entender melhor a intenção do autor. Quando entendemos essa mensagem que nos é dada pela Bíblia, nós tocamos uma mensagem eterna que tem a autoridade do próprio Cristo e tem o mesmo poder de transformação.
2 – A rejeição da superficialidade e artificialidade nos relacionamentos.
Foi adito anteriormente que a falta de identidade e a vontade de se relacionar é um ponto positivo na era pós-moderna. No entanto podemos perceber um lado sombrio nesse comportamento. Essa vontade de se reunir para acabar com a solidão, não quer dizer que a pessoa deixou de ser egoísta. A comunidade se torna então um lugar para ele se sentir bem acompanhado, mas ela não perde seu senso forte de privacidade não se deixando conhecer por outros. Isso impede que o verdadeiro sentido de igreja se torne real. Todos os sítios sociais têm seus heróis e mitos, a igreja enquanto comunidade, social também idealiza muitas vezes seus perfis heróicos resultado de suas experiências como comunidade, entretanto não deve ser assim na igreja de Cristo. Ela deve acolher as pessoas como são para que elas se relacionem sem máscaras e possam na sua transparência produzir sua parte na comunidade, sem construir para si um comportamento tido como espiritual superior e evitar a produção de ídolos e cultos à personalidade para aqueles que aparentemente alcançaram tal padrão. Assim da mesma maneira a liderança deve assumir esse nível transparência para que aja uma referencia no rebanho também. E todos possam contribuir com o que são para a edificação da comunidade. Só quem é livre para se relacionar com seus dons e defeitos pode contribuir para uma edificação do corpo.
Resumindo a pós-modernidade veio trazer tanto coisas boas como ruins para o pensamento humano. Devemos saber discernir quais são nossas portas de acesso através dela para a evangelização e formação do caráter espiritual do cristão. Além disso, devemos nos precaver contra a batalha espiritual que este século também nos impõe para que possamos não nos conformar e sermos uma voz profética em nossa geração.
Lívio Bruno








